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  • Fábio Ruiz

Tina - EUA - 2021


Dividido em cinco partes, “Ike and Tina”, “Family”, “Comeback”, “The Story” e “Love, o documentário sobre a vida da famosa cantora Tina Turner é extremamente oportuno por ilustrar que todos somos iguais, todos temos os mesmos problemas, as mesmas questões familiares, as mesmas dores, e as mesmas felicidades, mesmo quando não se alcança o sucesso como Tina. O texto explora muito bem, sem exageros, sem “politicamente corretos”, sem pieguices e sem ideologias o abuso moral, sexual e físico imposto por Ike durante grande parte de sua vida, e, mais uma vez, ilustra a dificuldade que todos temos de sair de um círculo vicioso, de superarmos a nós mesmos e seguir a diante. Tina, humildemente, e diferente de muitos, credita suas vitórias, suas superações ao Budismo, que começa a praticar quando está quase no fundo do poço, o roteiro não esconde suas tentativas de suicídio, as aborda francamente.


Nas vozes de pessoas relevantes em sua vida, seu agente, seu filho Craig, suas vocalistas, e até mesmo do próprio Ike, o texto contorna essa figura de suplantações, mas até o final desvela as suas dores, e a equaliza com qualquer ser humano, ilustrando problemas familiares, uma relação sem afeto de pai e, especialmente, da mãe, que a abandona, levando apenas sua irmã mais velha. Por fim, o roteiro entra em caminhos mais amenos, com o encontro do amor verdadeiro, sem os fantasmas de Ike, que a perseguiram por toda a sua vida.


A direção é excelente, especialmente, na seleção de imagens de arquivo, que compõem muito bem a narrativa, e na escolha dos entrevistados, que, cada um, adiciona um ângulo diferente, destoando apenas a participação da apresentadora Oprah Winfrey, que não agrega muito valor histórico a narrativa.


O documentário equaliza os seres humanos desde os mais humildes e desvalidos, até os mais famosos e ricos, em nossa essência, em nossas dores, em nossas conquistas por menor que possam parecer, e também, em nossas fraquezas. #Tina nos mostra que a luta é árdua, mas vale lutar, e, por fim, no que realmente conta, somos todos iguais. Vale também pelo reconhecimento do show no Rio como o auge de sua carreira, eu estava lá. Imperdível.