Nuremberg – EUA-2025
- Cardoso Júnior

- 25 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2025
Análise nº 1.799

Baseado no Livro “O nazista e o psiquiatra” Nuremberg é um desses filmes que decepciona tanto, mas tanto, que nem dá vontade de escrever absolutamente nada sobre ele a não ser: É bom evitar.

A história de um psiquiatra chamado para avaliar líderes nazistas para o julgamento de Nuremberg e como ele fica obcecado em entender o mal levando-o a estabelecer um laço “amigável” com o maior genocida da História moderna, Hermann Göring, a ideia é tão estilizada, tão asséptica que chega a transformar o maior julgamento da história em algo tão em segundo plano que beira o cinismo.

O diretor, roteirista e produtor norte-americano, James Vanderbilt, consegue a proeza de transformar um fato tão sombrio e tão macabro em um verdadeiro espetáculo superficial ao preferir enveredar por uma verdadeira disputa e duelo de egos entre seus protagonistas, propiciando sim, atuações muito interessantes de Russell Crowe e Rami Malleck, mas é só isso já que esquece que o tema é justiça e aposta no espetáculo.

Em Nuremberg a abordagem baseada em muita simpatia e camaradagem por todos os lados, vai indo capenga até que Vanderbilt introduz imagens reais do holocausto, dos campos de concentração, com corpos mutilados e todos os horrores desses lugares e o choque no público é brutal, pois surge dissonante com a estética polida adotada até então e, tudo que o filme evitou dar a devida importância, surge para lembra-nos do que realmente estava em jogo em 1945, destruindo tudo que foi visto anteriormente.

Poderia escrever muito mais sobre esse engano, mas não vou gastar meus dedos, e nem preciso dizer que não esperava por um filme de chacinas, mas transformar o maior genocida de todos os tempos em personagem tão elegantemente carismático é banalizar não só o monstro, mas também suas monstruosidades desdenhando da densidade histórica para retratar o mal com tamanha fotogenia que é ideia perigosa sobretudo quando o assunto é nazismo e a História exige autenticidade, clareza e muito menos verniz.
Enfim, a escolha por adaptar esse livro fracassado foi é e continuará sendo ideia de péssimo gosto.
PS: dizer que vale a pena ver por conta da ótima performance de Russell Crowe não justifica, pois ele é um ator no exercício de sua função e regiamente pago para isso. Brilhar não é favor, é obrigação!

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