Sonhos de Trem - EUA - 2025
- Cardoso Júnior
- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Analise 1.791

Adaptado da novela de Denis Johnson, Sonhos de Trem foca na vida de um homem durante oitenta anos, no final do século XIX até o final de 1968 e é uma análise das transformações sofridas pelos Estados Unidos com o início da construção de sua malha ferroviária e, consequentemente, a devastação das florestas. Não obstante, também é um olhar no micro sobre a vida de um homem comum, vivendo uma vida comum e deixando-se levar por ela independente das alegrias, tristezas e culpas contidas nela e, com certeza, é uma produção para pessoas que já atingiram certa maturidade, pelo menos o suficiente para poderem olhar para trás e entenderem o processo.

Belíssimo, com filmagens em locações paradisíacas, há que se notar a intenção do roteiro e direção em capturar a ligação do ser humano com a natureza bruta passando por uma sensação quase que espiritual de perseverança e resignação diante de ditames nem sempre favoráveis durante a jornada, tocando, inapelavelmente o âmago do público.
Com um protagonista

muito silencioso e pensativo, o longa insere uma narração em off que vai revelando pensamentos e sentimentos que o protagonista jamais verbalizaria, tornando-se uma espécie de voz interna que tanto vai e revisita o seu passado como analisa docilmente o presente e complementa o futuro em um belíssimo estudo sobre a solidão ainda que acompanhada momentaneamente; amores e amizades...fugazes diante da impermanência da vida e fantasmas que estão sempre conosco materializados nas memórias.

Com fotografia avassaladora, um trabalho de luz espetacular e trilha sonora que engrandecem os momentos mais corriqueiros dos dias, o roteiro firma-se sobre o simples, sob uma perspectiva de memórias fragmentadas que acompanhamos com muita serenidade e reconhecimento a ponto de nos tocar profundamente com o singelo.

Joel Edgerton em uma performance espetacular repleta de silêncios, resignações, dores e perdas inomináveis transmite todos os sentimentos com muita força e raras palavras enquanto Felicity Jones cumpre – como sempre - a contento o que lhe é cabido e William H. Macy com pouco tempo de tela rouba as cenas que aparece. Sonhos de trem não é para ser explicado em palavras e, sim, sentido em suas paisagens sobre as dores e as belezas da vida.

TRAILER
