logo.png
  • Cardoso Júnior

The Eyes of Tammy Faye -EUA 2021


Primeiramente acho importante esclarecer que não vi o documentário de 2000 no qual este se baseia, entretanto a direção de Michael Showalter (Doentes de Amor) e nomes como Jessica Chastain e Andrew Garfield já são o suficiente para despertar a curiosidade de qualquer cinéfilo mesmo que desconheça a história.

O tema em si é atualíssimo e trata de pastores que enriquecem nababescamente a custa da fé de fieis que sustentam suas vidas de luxo extravagante através de doações e avança num caso que gerou (por vários motivos, inclusive políticos), uma condenação e prisão do líder evangélico e das consequências sofridas por sua esposa, parceira e fiel escudeira, Tammy Faye.


O roteiro é inteligente na medida que apresenta a dupla desde jovens, passa pela ascensão midiática e financeira sem responsabilizar diretamente ninguém embora fique subtendido que ele era um trapaceiro que usou da boa fé religiosa de seus seguidores evangelizando que “Deus não quer que você seja pobre", enquanto ela, bom, ela o roteiro esquiva-se de definir preferindo deixa-la como uma incógnita.

Ainda assim, a dinâmica estabelecida não permite nenhum momento de tédio em suas duas horas de duração, muito por conta também da magnífica atuação da Chastain (mesmo com a prótese de mandíbula) cantando e nos magnetizando a ponto de já garantir vaga na temporada de premiações, magistralmente apoiada pelo ótimo Garfield, excepcional na composição de um personagem repleto de idiossincrasias. Outro com vaga também garantida.


Seja como for, #TheEyesofTammyFaye é uma cinebio irregular pela escolha do caminho convencional cujo roteiro opta pelo superficial, deixando em aberto inúmeras questões importantes, mas seja qual for a verdade por trás dos Olhos de Tammy Faye, o fato é que é genuinamente divertido - e um alerta a ingenuidade da credulidade desarrazoada - e não há como não terminar feliz vendo o show performático de uma das maiores atrizes da atualidade retomando seu lugar na dramaturgia.