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  • Cardoso Júnior

O Diabo de Cada Dia – EUA – 2020


A adaptação do livro homônimo para as telonas (no caso telinhas) por parte do diretor e roteirista Antonio Campos, produzida pela Netflix, é um interessante thriller repleto de personagens inseridos em vários núcleos equidistantes que acabam se entrelaçando no decorrer de duas gerações e, com tantos arcos dramáticos a serem explorados, a contextualização de alguns deixa a desejar fazendo com que a obra, como um todo, soe bastante irregular.

Centrando o conto em duas cidades, dois estados e duas gerações no coração da America rural, o roteiro apresenta várias tragédias, paixões, violências e coincidências numa cadência lenta em suas mais de duas horas de duração onde elenca alguns eventos que demoram bastante para fazerem uma conexão funcionando mais como capítulos enxertados numa linha de tempo e costurados, todos, pela fé cega e desarrazoada e alguns bons pecados a serem alimentados servindo como mote para barbáries e penitencias.

Como a estória atravessa décadas, o designer de produção é impecável na cenografia, adereços e figurinos, e a direção trabalha muito bem a alternância de planos abertos situacionais e dramáticos zooms enquanto a banda sonora, um tanto quanto infantil, insiste em antecipar momentos de maior tensão, produzindo efeito justamente contrário no expectador que, já cansado, há muito já entendeu o mecanismo dramático.

O velho truque do elenco “conhecido” que Hollywood tanto aposta para vender suas produções e arrebanhar um público menos conhecedor de cinema, até que funciona muito bem em atuações dignas e verossímeis, seja no grupo de apoio ou nos protagonistas com destaque para Pattinson e Tom Holland em sua fatalista jornada entre horrores, desassossegos e mortes de todos os tipos.

Assim, #TheDevilAlltheTime, com sua variedade de tramas paralelas, mesmo costurando bem a trama com a boa montagem, edição e narração, não vai muito além de pequenas sequencias de ótimas cenas, dentro de um todo onde pretende-se alcançar uma gama de profundidades elocubrativas onde só há um conjunto de “Violência Gratuita”; aliás um trabalho do Michael Haneke bem superior.

Mas, vale ver nem que seja para esquecer.



TRAILER




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