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  • Fábio Ruiz

Limbo – Reino Unido – 2020


#Limbo, escrito e dirigido por Ben Sharrock, é mais um filme que coaduna com a narrativa de defesa ao acolhimento aos imigrantes, carregada com elementos politicamente corretos, que acabam por ser incorretos. O casal que apresenta as seções de “cultural awareness” são estereótipos, que desenham os britânicos como completos idiotas, complacentes, condescendentes e patriarcais. O texto prende-se ao bloqueio criativo da protagonista, Omar, que não consegue tocar seu “oud”, um instrumento sírio parecendo uma guitarra, e as causas de tal situação, apresentando suas relações familiares, através de ligações telefônicas. Os outros três que o acompanham servem apenas para ilustrar cenários particulares da imigração, como o homossexual enrustido afegão, que nunca conheceu alguém como ele, e que jamais poderia ser quem é em seus país de origem, sob penas severas; e os dois africanos, que exemplificam a dificuldade de serem considerados asilados, e a dicotomia entre ser deportado e enfrentar a morte. Sem muito mais conflitos, ou maior profundidade desses, apela para um galo, demais enxertos de cenários, e redenções emocionais, quase sobrenaturais, como a cura sob a aurora boreal. Entretanto, o filme, eximiamente, em textos e imagens, transparece o limbo o tempo todo, tornando-o interessante.


A direção é muito boa, principalmente, no quesito condução do elenco, que está ótimo, além de enquadramentos relevantes, especialmente, aqueles de cenários, que contextualizam o limbo. Amir El-Masry poderia aprofundar as nuances emocionais da protagonista, parecendo muito blasé, Vikash Bhai, o melhor em cena, faz um excelente trabalho como o afegão enrustido, e Sidse Babett Knudsen e Kenneth Collard, os escoceses, abraçam com franqueza os estereótipos de suas personagens. A fotografia é demais alinhada à trama, transparecendo o estado de indefinição constantemente; a edição é ótima; e demais quesitos técnicos são satisfatórios.


Limbo é um filme interessante sobre a condição de imigrantes na Grã Bretanha, mas, ao mesmo tempo, mais do mesmo que temos visto na atualidade a serviço de narrativas de certos grupos. Vale assistir.