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  • Fábio Ruiz

Let Them All Talk – EUA – 2020


O roteiro de #LetThemAllTalk, lançado pela plataforma HBO Max, é um texto como não visto há muito no cinema da atualidade, uma simples trama sobre a natureza humana, quando amigas que não se veem há trinta anos se reunem em um cruzeiro transatlântico, para a cerimônia de premiação da escritora. Entremeadas à combinação perfeita de delicadeza, crueza e mistérios, que aos poucos são desvelados, há discussões interessantíssimas acerca do processo criativo e da construção de personagens na seara literária, e das miríades de facetas humanas, onde vislumbra-se um pouco de tudo, da nobreza à monstruosidade, compilando um simples mais contundente tratado sobre nós, meros humanos, e dentro dessa natureza, os da vida real, o filme não traz os apelos políticos, atualmente, infelizmente, requeridos para o clamor por premiações, uma lástima, pois é como um Gente Como A Gente (Ordinary People) da era moderna.

A direção de Steven Soderbergh é perfeita, tanto em enquadramentos, distanciamentos, movimentações e originalidade, em ambientes confinados, como no primor na condução dos atores, como sempre sob sua tutela, lapidando cuidadosamente as idiossincrasias das personagens nos atores. Meryl Streep, em mais uma performance brilhante, destoa absolutamente de todas as suas personagens anteriores, não há “dejá vu”, com uma criação sensível de Alice. Dianne Wiest também brilha neste sentido, e Candice Bergman entrega atuação contundente, mas não comparável a das anteriores. Lucas Hedges confirma sua posição nesse delicado firmamento de estrelas da atualidade com um trabalho diferenciado, e Gemma Chan está organicamente competente. A fotografia é excelente, edição de som e música se destacam, figurinos e edição são ótimos.

Uma simples e bela narrativa que mergulha nos meandros da natureza humana é o que traz o contundente Let Them All Talk, e falam nas medidas exatas, nem mais, nem menos, apenas o justo. Imperdível.





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