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  • Cardoso Júnior

Era Uma Vez Um Sonho – EUA -2020

Atualizado: 27 de Nov de 2020


É aquilo que sempre insisto: Cinema é uma ótima estória contada de forma visual e, tudo mais que vem no pacote, são apenas meros detalhes que somam ou diminuem, mas se o fulcro ( a estória ou história), não é boa o suficiente ou muito bem contada, nada pode salvar um filme. E, este meu antigo pensamento, vem a ser confirmado, infelizmente, na nova produção daquela plataforma que coleciona tralhas. Agora, ela conseguiu produzir mais uma tentando esconde-la atrás de duas atrizes gigantescas.

A velhíssima história da família disfuncional onde um integrante consegue superar todas as inúmeras dificuldades para chegar numa faculdade até que poderia funcionar por ser baseada num polêmico livro que trata de fatos se, o roteiro, não fosse tão superficial a ponto de trazer outra, mais uma, narrativa em primeira pessoa e a montagem não embaralhasse mais ainda o desenvolvimento misturando as linhas temporais afetando a estrutura com cansativos e batidos flashbacks.


Assim, #HillbillyElegy, que tinha tudo para ser um drama interessante resvala para um melodrama farsesco onde a direção desumaniza as duas personagens principais permitindo e levando-as para um terreno muito perto do caricato, retratadas em fragmentos de memórias sem nenhuma profundidade conceitual, buscando compor cenas de alto teor emocional que acabam tangenciando o piegas.

A gritante falha na essência da adaptação (roteiro) está na ausência de um mergulho mais profundo na alma de suas personagens apresentando motivos convincentes para seus atos tornando-os meros fantoches da vida despindo-os de toda ou qualquer empatia que seus dramas poderiam ou deveriam gerar. Não estou dizendo que Close e Adams não estejam irreconhecíveis e que não apresentem atuações corretas (Glenn está ótima), mas com personas fatiadas, é impossível ir além disso e não há maquiagem que ajude na credibilidade.

Portanto, #EraUmaVezUmSonho, não é nada que já não tenhamos visto antes só que contado de forma tão higienizada que acaba sendo uma profusão de situações em busca em busca de um sentido mais concreto que uma falácia social a beira do inverossímil, pelo menos na forma que nos é apresentada.

Ah, sim, ainda há um bônus nos créditos finais de um vídeo doméstico onde o sonho americano acontece pra provocar comoção sob encomenda.






TRAILER