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  • Fábio Ruiz

Apresentando Os Ricardos — EUA— 2021


Apesar da estrutura narrativa de #BeingTheRicardos, que combina características de ficções e documentários para recontar sua estória, não ser original, nunca essa funcionou tão perfeitamente como nesse texto. O roteiro, de Aaron Sorkin, se vale da semana em que Lucille Ball foi exposta por ter se filiado ao partido comunista quando jovem, em homenagem ao seu avô que criou ela e seu irmão, para relatar as relações afetivas e profissionais de Lucille Ball e, seu marido, Desi Arnaz, fazendo saltos temporais, às vezes não muito claros, mas sem danos à espinha dorsal, para excertos importantes da vida dos dois em ambas as perspectivas. A narrativa, de uma precisão ímpar, com diálogos afiadíssimos e afinadíssimos, é, por si só, uma obra de arte. Entretanto, diante dos posicionamentos políticos hollywoodianos favoráveis aos regimes comunistas, há a possibilidade do filme ser relegado nas principais categorias nas premiações, ao menos já foi relegado no Golden Globes, que poderia ser indicado a melhor drama no lugar de Coda, pois é muito, mas muito, mais filme, além de não considerarem seu diretor digno de uma indicação.

A direção, também de Aaron Sorkin, flerta com o perfeito, tanto nos quesitos enquadramentos, distanciamentos e movimentos de câmera, vide a última cena, quanto na condução dos atores e das equipes técnicas. Nicole Kidman e Javier Bardem são um espetáculo à parte, impressiona a delicadeza e a precisão de suas interpretações, e o mesmo se pode afirmar de J. K. Simmons, e todo o elenco, sem exceções, está notável. A música, belíssima, adiciona aos conflitos e tensões da dramaturgia. A fotografia é muito bem definida para ambientar a trama no tempo, sem parecer desgastada, a edição é excelente, e cenários e figurinos também beiram a perfeição.


#ApresentandoOsRicardos é uma obra de arte, um filme como há muito não vemos desenvolvido em Hollywood, mas como não comunga com os posicionamentos políticos e ideologias em voga na indústria americana, infelizmente, não será devidamente reconhecido como deveria, quem sabe no futuro.