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  • Cardoso Júnior

Fuga de Dannemora – EUA – 2018

Atualizado: Ago 8


Como o cinema e a TV, são máquinas que nunca param, é comum um cinéfilo se interessar por uma obra e, na ânsia de ver tudo, acabar deixando-a soterrada por outras tantas que passam a ser a bola da vez. Perseverar há que! Quando Patricia Arquette recebeu o Globo de Ouro pelo incrível papel em #EscapeatDannemora, entrou pras minhas prioridades por um tempo até ser esquecida” entre algumas pendências. Felizmente, veio o Emmy 2019, onde ela (Patrícia) e a própria serie ganharam novas e importantíssimas indicações e, com atraso, lancei-me ao prazer.

Baseada em eventos de 2015 onde dois detentos escapam de uma prisão de segurança máxima no Estado de Nova York com a ajuda de uma funcionária, minissérie de apenas sete episódios, tem seu ponto mais alto nas impressionantes interpretações de Patricia, Benício Del Toro, Paul Dano e Eric Lange, protagonistas de uma bizarra história de manipulações dentro de um mundo tão triste quanto feroz onde a moeda de troca são os favores de todos os tipos; inclusive sexuais.

Dirigida corretamente por Ben Stiller (ele mesmo), o ecossistema prisional nos é apresentado de forma claustrofóbica, sempre em planos muito fechados, fotografia pertinentemente escura, aparado em quatro vértices emocionais que fazem ótima conexão entre a corrupção moral interna, a ingerência governamental (a passividade para com o jogo de trocas entre detentos e detentores), o excepcional retrato multifacetado de personagens altamente complexos em uma tensa trama de fuga. Show!

Ok que o roteiro poderia ser muito mais enxuto e que todo um episódio (o sexto), poderia ser resumido em algumas linhas de diálogos desobrigando o episódio final de ter aproximadamente hora e meia de duração com explicações apressadas encaixadas quase que de qualquer maneira, ok que a trilha sonora se equivoque e se desencaixe do contexto em vários momentos e que o pico de tensão afrouxe em várias ocasiões, pois com Patricia (20 quilos mais gorda), e Benicio em cena, poucos se darão conta desses detalhes.

Ao fim e ao cabo, #FugadeDannemora levada ao ar pelo canal Showtime, é o tipo de história já contada diversas vezes ( e até melhor), mas que tem a sorte de ter uma personagem feminina antologicamente ignóbil na história da tevê e, uma atriz portentosa para absorver e desenvolvê-la em múltiplas camadas humanas.

Nos vemos no Emmy 2020.

TRAILER

#Minissérie #EUA #AméricadoNorte #Análise