O Agente Secreto – Brasil – 2025
- Cardoso Júnior

- há 10 horas
- 2 min de leitura
Atualizado: há 1 hora
Analise 1.808

Como não falar sobre O Agente Secreto, o filme mais badalado, endeusado, comentado no momento pelo menos no Brasil principalmente depois de sua vitória no Globo de Ouro e enormes expectativas para o Oscar 2026?

Já, e de antemão, antecipo que não achei a quintessência cinematográfica que falam principalmente pelo ritmo lento e pelo tamanho da película que me fez dar pausa umas três vezes – e ir fazer outras coisas - antes de retornar para a estória. Mas retornei e isso me mostra que havia algo me prendendo, me amarrando a narrativa o que sempre é um bom sinal já que não seria o primeiro filme que abandono antes do meio quando meu pico de atenção vai para o espaço.

E, então, fiquei pensando: o que estava me prendendo numa estória com desenvolvimento lento, excessos de informações, muitos personagens rasos e sem aprofundamentos (um alemão totalmente desnecessário), e uma mistura de gêneros (thriller político,terror,comédia,documentário) que perigava adentrar no terreno do confuso ainda que fatiado em capítulos que pouco elucidavam o objetivo: o cerne da obra.

A primeira coisa que tive que me render foi a interpretação do Wagner Moura tão repleta de vulnerabilidades que tornava o personagem absurdamente carismático e empático. Solta o play!
A segunda, a gritante e espetacular reconstituição de época dos anos 70 ousando, inclusive, planos abertos criando uma ambientação primorosa e atmosférica que me fez viajar no tempo de forma muito agradável resgatando memórias afetivas.

A terceira: a aposta certa no biotipo dos atores (maiores e menores) e até dos figurantes é interessantíssima trazendo uma estranheza que quase beira o bizarro, mas mantém o interesse na fauna circundante e, claramente, remetendo a referencias de outros diretores. E, claro, aquilo que realmente é intencionalmente grotesco acaba sendo inesperadamente divertido.

Ok, O Agente Secreto tem algumas barrigas que o fazem longo – e é longo- tem personagens demais, não há clímax (de fato) e algumas divagações acabam desconectando do plot central simplesmente por serem aleatórias e autoindulgentes, mas Moura consegue minimizar essas incongruências e conquistar o público com fala mansa.

Felizmente direção e roteiro não o transformam em mais um filme sobre a ditadura esfregando no público afirmações do tipo: Vejam o que a ditadura fez. Foi assim! Sabiam? Ufa! Sabiamente o inteligente roteiro desvia-se da militância, toca no assunto, fala do tema sem se tornar mais um de tantos. Nada é mais eloquente que a sutileza.

Entretanto, sinceramente, não acho o Melhor Filme Internacional (vi e escrevi sobre todos) em um ano relativamente bastante fraco nas produções (nenhum como “Anatomia de uma Queda” por exemplo) mas isso só vem ajudar a se destacar pelos inúmeros “inusitados” que certamente surpreenderão positivamente os votantes.
Valeu ter insistido e chegado ao seu melancólico ou poético final realista.

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