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  • Clayton Inacio

Pela Janela –Brasil - 2018

Atualizado: há 4 horas


Aclamado pela crítica e vencedor do prêmio de júri internacional no festival de Rotterdam em 2017, eis uma obra brasileira que merece ser vista com o mesmo requinte e sutileza em que ela é apresentada. Isso porque se destaca por sua maestria, ainda que fruto da obra de estreia de Caroline Leone na direção e roteiro, o que eleva e muito, esse longa “fora do meio”.

Após perder seu emprego onde trabalhou há 30 anos, Rosália se vê perdida e parte em uma viagem com seu irmão, que está indo a Buenos Aires, a trabalho. Com uma premissa aparentemente simplista, porém bastante minimalista, o filme aborda questões que permeiam a nossa vida com bastante cautela e desapressada, nos levando a uma atmosfera bastante imersiva, ao passo que a protagonista da trama apresenta suas camadas de expressão diante de sua atual situação. Com isso, somos levados a vários sentimentos soturnos, muitas vezes revelados no olhar e na expressão corporal da atriz que, com poucas palavras, consegue imprimir cada sensação resultante da perda de forma brilhante.

E não obstante, acompanhar essa introspecção da personagem, automaticamente nos submete à angústia que está no cerne da ameaça de sermos surpreendidos por uma notícia não muito agradável, sob vários contextos do nosso cotidiano. Talvez, o silêncio que compõe boa parte da história, demonstre o grito de desespero que a alma muitas vezes está dando, sem que os outros percebam.

E nesta obra, essa miscelânea de sentimentos nos faz enxergar como a vida é, em suma, uma brevidade no eterno espaço-tempo, que deve ser vivida ao máximo, haja aquela premissa clichê de que tudo é passageiro.

TRAILER

#Brasil #Análise #Cannes

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