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  • Fábio Ruiz

Gabriel e a Montanha – Brasil – 2017

Atualizado: Ago 3


Monte Mulanje, Malauí, África, 2009. Dezenove dias após seu desaparecimento, o corpo de Gabriel Buchmann é finalmente encontrado por dois trabalhadores rurais. Setenta dias antes inicia a história que Gabriel e a Montanha pretende contar. Organizado em capítulos baseados em suas passagens pela África, o filme refaz os passos do economista carioca até a sua morte, por hipotermia, buscando o olhar das pessoas com quem ele interagiu em sua viagem turístico-acadêmica. O roteiro transparece a quantidade e a qualidade das informações obtidas sobre sua trajetória, se delongando e aprofundando mais onde essas foram mais abundantes e sendo breve, caso contrário. A relevância e o interesse não é constante ao longo da projeção, sendo mais intrigante na parte inicial e irrelevante, superficial e supérfluo em grande parte. O filme é uma homenagem a um amigo falecido em circunstâncias dramáticas e, ao mesmo tempo, psicanalisa ou exorciza a obscuridade dos fatos. Dramas, todos têm em suas vidas, alguns mais, outros menos e o processo de aceitação é sempre duro e duradouro. A questão que fica é: vale um filme para tal intuito? Cabe sempre uma história interessante e relevante que traz luz, que adiciona e que entretém, mas Gabriel e a Montanha acaba por não atender a nenhum desses requisitos para o espectador distante, tornando-se uma história desimportante, longa e cansativa. O roteiro também transita entre o ficcional e o documental quando inclui depoimentos em “voice over” de algumas pessoas que com ele interagiram, desconfigurando o estilo e propendendo à catarse dos íntimos. O cenário Africano é belíssimo, mas desfavorecido pela fotografia e tomadas mal escolhidas. A arte é muito boa e a música e o som, excelentes. A atuação de João Pedro Zappa é regular e Carol Abras entrega uma Cris interessante. O resto do elenco é composto em sua maioria pelas pessoas reais da história de Gabriel. Os espectadores, que se interessam por um drama contundente e verídico, poderão se cativar pela história. Gabriel e a Montanha é com certeza um filme intimista e forte, mas cabe a quem assistir avaliar a sua relevância e o seu encanto.

TRAILER



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