• Fábio Ruiz.

A Guerra dos Sexos – EUA – 2017


Billie Jean King, em 1973, jamais teria imaginado as quão correntes e polêmicas são, em 2017, as questões relativas as diferenças dos sexos, tornando atual e indispensável a sua história, que não discorre apenas sobre uma épica partida de tênis, mas sobre as motivações e preconceitos que a fizeram primordial então, e que, supreendentemente, a fazem agora. 1972, ao descobrir que os prêmios a serem pagos às mulheres na temporada seguinte correspondiam a um oitavo daqueles dos homens, Billie Jean King convence suas colegas tenistas a abandonarem a ATP (Association of Tennis Professionals) e fundarem a WTA (Women’s Tennis Association). Aproveitando o calor das discussões sobre a igualdade de direitos no tênis, Bobby Riggs, um jogador e apostador inveterado, propõe a Billie uma partida valendo cem mil dólares, mas que também pretendia afirmar e confirmar a superioridade masculina. A Guerra dos Sexos exibe os bastidores dessa épica batalha, as perspectivas, os preconceitos, as vidas pessoais de Billie e Bobby, delineando um paralelo interessante e real entre suas trajetórias. O roteiro de Simon Beaufoy, vencedor do Oscar por Quem Quer Ser um Milionário?, é simples, mas de extrema competência. Simon escolhe muito bem o extrato retratado e o explora e aprofunda com grande maestria. A direção de Danny Boyle e Loveleen Tandan é interessante, muito boa nas escolhas de planos, mas mais feliz ainda na orientação do elenco que está afinadíssimo. Emma Stone é Billie Jean King, tamanha a semelhança. É impressionante a composição da personagem e a delicadeza como deixa transparecer a dualidade entre seus aspectos profissionais e pessoais, principalmente, relativo a sua sexualidade. Steve Carell não fica atrás e encarna, com excelência, Bobby Riggs, personagem que lhe permite explorar a sua comicidade, sem tropeçar em exageros ou estereótipos, em um papel dramático. Stone e Carell estarão entre os cinco indicados ao Oscar em suas categorias. Outras gratas surpresas no elenco são Andrea Riseborough, Natalie Morales e Austin Stowell. Alan Cumming está excelente e é sempre bom ver Elisabeth Shue de volta à tela grande. A arte é espetacular – este ano fomos brindados com diversos filmes de época com recriação impecável do período retratado. Figurinos, cenários, tudo ilustra com primor o início da década de 70. A edição é competente, a música complementa harmonicamente a trama e o som é muito bem executado. A surpresa da atualidade e da urgência da história de Billie Jean King nos aponta para uma pequena evolução das questões de gênero de quarenta e quatros anos atrás para cá. O quão atuais e urgentes serão daqui a quarenta e quatro anos, esperamos que não sejam mais surpresas, mas, em 2017, A Guerra dos Sexos, além de ser um bom divertimento, é um filme necessário. Não perca. Em cartaz.

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