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  • Cardoso Júnior

45 anos - Inglaterra -2015

Atualizado: 16 de ago. de 2020


Partindo de um roteiro que busca documentar a rotina de um casal que vive juntos há 45 anos e, focando nos seis dias que antecedem a festa de comemoração desta mais que importante data, que ninguém espere grandes ações, emoções ou movimentações externas; elas existem sim e em profusão, mas no interior dos protagonistas. Para quem se lembra e gosta de um estilo mais intimista, quase bergmaniano, eis um trabalho mais que apreciável por seu compromisso autoral com a pura, simples, cotidiana e quase banal realidade de vida de um casal. Ao partir de um plot muito simples, onde um fantasma abstrato do passado ressurge para assombrar a estabilidade de um casamento sólido, o diretor Andrew Haigh, com extrema sobriedade autoral, vai compondo e descompondo, lentamente, este drama expondo as várias camadas de um relacionamento sem deixar cair o pico de interesse. Embora o plot não seja necessariamente original ou inovador, a forma sutil do desenvolvimento, desenrola-se como se nos fizesse uma única pergunta: O amor supera tudo? Tudo mesmo? E, é neste talvez sim, talvez não, que só nos será revelado no último frame, que acompanhamos a contida, mas não menos arrebatadora atuação da veterana Charlotte Rampling transmitindo um duelo interior, nem sempre verbalizado, muitas das vezes, apenas com um olhar. Podemos afirmar que Charlotte mimetiza os sentimentos da personagem com tamanho magnetismo que fica impossível desviar os olhos de sua performance altamente amparada pelo brilhantismo cênico de Tom Courtenay, ambos, extrapolando a grandiloquência dos silêncios. Enfim, 45 anos é um trabalho minimalista, simétrico e portentoso onde a segurança de uma relação estável tremula diante da incerteza

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#Europa #Análise #Oscar2016