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  • Cardoso Júnior

A Garota Dinamarquesa - Inglaterra-2015.

Atualizado: Ago 16


Baseado em um romance que se inspirou no real diário de Lili, é um belíssimo trabalho sobre a força do amor e da amizade. Situado numa Copenhagen em 1920, apresenta uma direção de arte que beira o esplendor. A cenografia é deslumbrante nos planos abertos e nos requintes dos mínimos detalhes e, os figurinos e reconstituição de época são uma verdadeira obra prima. São tão autênticos e, impressionante artísticos, que parecem saltar das pinturas e telas de seus dois protagonistas. Tudo é grandioso, amplo, realista e ao mesmo tempo minimalista em “#TheDanishGirl”! Ainda assim, diante de tamanhas impecabilidades em todos os seguimentos desta obra, o roteiro pode ficar vulnerável no quesito aceitação; o que seria uma lástima, em pleno século xxI, algum tipo de preconceito de gênero, mas nós sabemos que existe e que pode contribuir negativamente nas questões de identificações de massa. Que pena, mas vai acontecer! Independente disto, do tema, acompanhar o assombroso e delicado trabalho de construção de personagem de Redmayne, com suas nuances, olhares e linguagem corporal, captando e transmitindo as fragilidades e também a força de um ser em mutação de identidade, é algo fascinante de se apreciar. Redmayne não só capturou a alma da protagonista como nos mostra em todas as suas complexidades e graduações transitando, física e emocionalmente por sentimentos antagônicos como: confusão, perplexidade, descobertas, encontros, êxtase, alivio...e tantos mais que merece uma segunda olhada para decodificar. (Onde ele foi buscar aquele sorriso e assentá-lo como marca d’água na personagem?). Incrível! Sua performance, (perigosíssima), facilmente poderia ter desabado em inúmeros clichês, mas ele escapa de todas as armadilhas apresentado-nos uma atuação mais que soberba. Por certo, parte desta perfeição vem da química que ele encontra no suporte também magistral de sua parceira, a meteórica atriz sueca, Alicia Vikander! A intensidade com que ela se joga no papel é tão forte e profunda que nos faz perguntar, ao fim, quem seria, de fato, a verdadeira garota Dinamarquesa dentro dessa história. A força que Alicia empresta e esbanja, para nós, através de sua personagem é, sem dúvida, merecedora de vários prêmios e indicações. Não bastasse as mais que brilhantes atuações dos dois protagonistas, o elenco de apoio, Matthias Schoenaerts e Ben Whishaw, aproveitam o pouco espaço na trama para darem um show à parte. Admiráveis! Talvez você possa achar que essa história seja um pouco longa, que pediria maior agilidade, mas discordaremos peremptoriamente. Há muitas simbologias ocultas em toda ela, basta prestar atenção, por exemplo, no cão, que não está lá por um simples capricho ou casualidade, e sim, para nos mostrar seu “rosto” branco e marrom como mais um dos inúmeros símbolos de divisão que a direção, genialmente, coloca em todas as partes. Ok, se você só conseguir ver em The Danish Girl, apenas um filme sobre um tema ainda ousado e que ousa também em algumas cenas, tudo bem, mas essa garota, ou melhor, essas garotas estão nos mostrando uma história movida pela combustão do amor incondicional, da amizade e da dignidade humana. Então, permitam-se voar livremente, serem levados pelo o vento como uma delicada echarpe de seda a flutuar sobre o mar azul dessa obra magnífica. Bravo, bravíssimo!!!

TRAILER

#Hollywood #Análise #Oscar2016