• Cardoso Júnior

Perdido em Marte- EUA 2015.


Ridley Scott, um dos nossos diretores mais respeitados, há tempos vinha dando sinais que havia perdido a mão em sua filmografia. E perdeu mesmo. Depois de criar assinaturas indeléveis como Aliens, Blade Runner, Gladiador, Thelma e Louise, só para citar quatro exemplos, cometeu uma série de desenganos, alguns bem desastrosos como foi o caso de Conselheiro do crime e a procrastinação com direito a continuações de Prometheus. Agora, retorna outra vez o espaço da ficção, mas de uma forma mais...populista - juvenil de olho em um publico menos exigente e disposto a achar graça de qualquer piada. Ao apostar num roteiro sobre um “resgate espetacular acompanhado nervosamente pelo mundo tudo” (de novo?), poluiu o gênero Scy-fy com excessos de piadinhas em situações de alta tensão, transforma o protagonista em um gênio de quase todas as ciências conjuntas e, com força física de um super herói, enxerta elenco enorme (alguns com três ou quatro falas), para disfarçar o vácuo narrativo-cansativo, insere trilha sonora com hits moderninhos e, culmina seu resgate antológico com “I Will Survive”! Nem tecnicamente consegue inovar nas imagens em computação gráfica já bastante exploradas em filmes do mesmo gênero. Enfim, mais perdido que em Marte, Scott entrega um entretenimento bacaninha, simpático, leve, bem feitinho, com tecnologia moderna “made in NASA”, com direito a final feliz. Então, se você conseguir parar de lutar para voltar para casa em meio a mais um blockbusters, você poderá rir, dançar, se entreter um pouquinho e procurar rever rapidamente Planeta vermelho (2000), ou mesmo Sunshine (2007), trabalhos mais críveis que os 600 sóis de The Martian; ou ir plantar batatas.

TRAILER

#Hollywood #Análise #Oscar2016

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