Assim É a Vida - França – 2017

22 Dec 2017

 



Um casamento, um castelo, uma celebração, seus bastidores, seu organizador. Assim é a vida esmiúça as entranhas de uma festa de casamento, focando a figura de seu organizador Max Angély, dono de uma empresa de cerimoniais. Olivier Nakache e Eric Toledano, nos apresentam o, cronologicamente delineado, desenrolar dos acontecimentos do festejo, desde sua organização até o seu termo.

Max Angély, dono de uma empresa de cerimoniais, tem o desafio de realizar sonhos em um mundo mais do que imperfeito e complicado. Das restrições financeiras da atualidade aos caprichos e desvarios de seus contratantes, Max enfrenta as dificuldades de se trabalhar em um mundo globalizado, burocratizado, imediatista, internacionalizado, problemático e egocêntrico, contribuindo com suas peculiaridades aos caos impingidos à humanidade por sua própria evolução. No desenrolar das festividades, temas como imigração, xenofobia, direitos trabalhistas, tensões de trabalho, falta de perspectivas, excentricidade, amantes, crise em casamentos, entre outros são sutilmente aludidos na conjunção de desventuras e aventuras que fazem da ordem desordenada ou da desordem ordenada da festa uma grande alegoria da contemporaneidade.

O roteiro consegue açambarcar, perspicazmente, uma miríade de questões proeminentes dentro de uma cerimônia de casamento, fazendo-nos refletir com muita sutileza e extremo bom humor sobre nossa própria humanidade. A direção é competente fazendo uso de tomadas longas e sobre os ombros que, funcionalmente, estabelecem o clima caótico e as tensões entre as personagens, abandonadas depois de cumprirem suas funções por uma linha mais tradicional de condução. O elenco é vasto, mas tanto o roteiro, como a direção concedem a todas personagens momentos de destaque, que permitem aos atores mostrarem suas competências. As atuações de Jean-Pierre Bacri, no papel de Max e Jean-Paul Rouve, no papel de Guy, um fotógrafo inconformado com a competição das tecnologias de fotografia, imediatistas e desprovidas de arte, dos celulares, se destacam das outras. A música e o som são muito bem realizados e inteligentes, usando de momentos de completo silêncio onde o único ruído na sala de projeção é a gargalhada dos espectadores. A fotografia e a edição são competentes, bem como demais critérios técnicos.

Um filme de conjunto é sempre um risco, pois precisa de mãos firmes e bons roteiros para funcionarem. Robert Altman é o grande ícone neste estilo, que mais do que contar uma história, defende, subliminarmente, uma tese, uma hipótese que cabe ao espectador desvendar. Eric e Olivier acertam no alvo das incertezas da atualidade. A vida é uma festa. Vale assistir.

 

 


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