logo.png
  • Fábio Ruiz

The Courier – Inglaterra – 2020


#TheCourrier, escrito por Tom O’Connor, um roteirista com pouca experiência, é um exemplo de textos simples e funcionais, não tem qualquer diferencial narrativo, mas narra uma história com bastante solidez e propriedade, criando interessantes suspenses e fortes tensões, mas sem inovar, apenas seguindo as melhores práticas para se escrever um roteiro. A trama se situa no início da década de sessenta, um período acirrado da guerra fria, com a disputa pela supremacia nuclear pelos EUA e URSS, culminando nos famosos conflitos que quase deflagraram uma guerra, envolvendo tais mísseis, e a locação desses no território cubano.

O texto é bastante perspicaz ao expor as idiossincrasias de regimes totalitários como foi o soviético, e como ainda são até hoje, o chinês, o cubano, o norte-coreano, entre outros. É fácil ver as privações de liberdades, inclusive de expressão, as injustiças desses regimes, que executam e torturam sem quaisquer pudores, e as sociais, onde fica claro que as elites no poder, em Moscou, desfrutavam de todos os privilégios, enquanto o povo no interior penava para sobreviver e manter o padrão de vida de seus líderes, expondo todos os desastres que advém de regimes totalitários.


A direção, do também um tanto inexperiente Dominic Cooke, é excelente, tanto em suas escolhas de enquadramentos e distanciamentos, como na condução do elenco, liderado pelo excelente Benedict Cumberbatch, que cria uma personagem diferenciada e verossímil, deslizando apenas em uma fala da cena da visita de sua esposa à prisão, onde perdeu um pouco o controle das emoções, destoando do tom que vinha imprimindo. O ator russo, Merab Ninidze, o melhor em cena, dá um show de interpretação dominando completamente o entendimento dos conflitos cênicos e suas consequências, reagindo primorosamente. Jessie Buckley e Rachel Brosnahan também entregam interpretações diferenciadas e críveis, mas a personagem de Buckley tem espectro emocional mais amplo, permitindo a atriz se destacar mais.

A fotografia é excelente, a musica coaduna com as imagens e o texto, vide belíssima cena do balé O Lago dos Cisnes, cuja música adiciona fortes tensões e emoções à respectiva cena. Demais critérios técnicos acompanham o padrão fotográfico, destaque para figurinos, maquiagem e cenários.


Um filme interessantíssimo sobre período histórico extremamente relevante, que expõe regimes que atualmente, em tempos de paz, agem como a URSS, na década de sessenta. Quais as chances de Hollywood valorizar obra que expõe regimes de países que tanto adulam e adoram? Imperdível.




TRAILER