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Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria – EUA-2024

  • Foto do escritor: Cardoso Júnior
    Cardoso Júnior
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 9 minutos

Análise nº 1.804

Eis um título mais que conveniente para retratar uma protagonista que vive sob constante pressão das circunstâncias de sua vida, em um estudo de personagem perfeito para retratar a ansiedade em várias camadas bem como um mergulho intenso na claustrofobia interna e externa de uma mulher sobrecarregada física e emocionalmente sendo testada ao extremo, sempre com os nervos à flor da pele e tendo que “disfarçar” para sobreviver.

Com atuação magistral da vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlin, a australiana Rose Byrne, que consegue arrastar o público para dentro da estória – muito ajudada pelos constantes closes – fazendo com que vivamos, a princípio, suas desventuras de forma cômica, mas, invariavelmente, levando-nos para compartilhar suas agruras e angústias de forma visceral torcendo muito para que o colapso que se anuncia não aconteça nunca com uma vítima – ou fantoche- de meras e corriqueiras situações estressantes.


O roteiro é inteligente o suficiente para não criar nenhum grande drama e se fixar nos percalços dos cotidianos que todos nós conhecemos quando tudo parece estar contra e nada, nada dá certo causando uma sobrecarga emocional implacável capaz de abalar qualquer sistema nervoso.

Novamente, inteligentemente, o roteiro não foca e nem nos mostra duas de suas maiores sobrecargas – a filha doente e o marido ausente, mas controlador – evitando algum tipo de empatia dramática e concentrando-se, unicamente, no esforço hercúleo de uma mulher e sua luta diária pela sua saúde mental.

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria ou If I Had Legs, I’d Kick You com sua câmera ágil que aposta em quadros muito fechados e desenho de som que amplifica em nós a sensação de nervoso, desconforto e pico de ansiedade que só vai aumentando de intensidade ainda que haja algumas pitadas de humor sagaz que nos alivia a tensão, mas nunca de nossa protagonista sempre às voltas com sua rotina solitária e massacrante em busca de fazer o certo, o melhor para as situações que sempre lhe escapam do controle.


O ótimo roteiro nunca trabalha com soluções banais, deixando-nos a cargo de sentir na pele o que é na íntegra o grande esforço para conter altos picos de ansiedade além de uma análise sobre a exaustão de ser mãe e profissional sempre tendo que dar conta de inúmeros papéis a serem cumpridos diante das expectativas sociais ainda que seu mundo esteja prestes a entrar em colapso configurando-se em um ótimo e aflitivo drama psicológico que qualquer um de nós pode reconhecer na pele...ou nos nervos.


TRAILER


 
 
 

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