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  • Cardoso Júnior

Radioatividade - Reino Unido - 2020


Considerando que a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel por duas vezes, Marie Curie há muito necessitava de uma cinebio que conversasse com uma nova geração que pouco ou quase nada conhece sobre seus grandiosos feitos científicos que mudaram o panorama mundial uma vez que, Les Palmes de M. Schutz” de 1997, com ninguém menos que Isabelle Huppert, certamente e infelizmente deve ser desconhecido.

Assim, baseando-se numa graphic novel, Marjane Sartrapti (Persepolis), estreia na direção de seu primeiro longa-metragem apostando em Rosumund Pike para retratar sua visão de Marie Curie numa sucessão de equívocos em todos os aspectos fílmicos que chega a prestar um desserviço à biografada tamanha a péssima concepção evolutiva da história repleta de “licenças históricas”, didatismos desnecessários, personagens irrelevantes largados no meio do caminho, texto e falas autoexplicativas em meio a um viés feminista muita das vezes piegas, saltando no tempo de maneira abrupta e confusa num misto de incandescências alucinógenas onde velho e novo definitivamente se repelem.

O roteiro não sabe se constrói uma personagem que vai da propalada auto independência para a total dependência amorosa, mistura ectoplasma com radioatividade, pessoas com manequins, traumas de infância com o bombardeio de Hiroshima e a tragédia de Chernobyl sem esquecer do desnecessário enfoque macabro dos campos de batalha para contar também sobre uma mulher sexualmente ativa e libertária, frequentadora de elegantes cafés parisienses ponto de encontro de uma sociedade puritana e conservadora e, tudo isso ou isso tudo, recheado de vislumbres estéticos desconexos e bastante duvidosos.

Marie Curie, não precisava desse #Radioactive.




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