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  • Fábio Ruiz

Preparativos para Ficarmos Juntos por Tempo Indefinido – Hungria – 2020



#PreparationsToBeTogetherForAnUnknownPeriodOfTime tem como maior originalidade o seu título, pois a dramaturgia deixa muito a desejar. Márta retorna a Budapeste após vinte anos vivendo nos EUA, para um encontro com um conterrâneo que conhecera em uma palestra. O texto tenta criar suspenses emocionais, mas acaba por abrir demais veredas que falham em se entrelaçar em uma espinha dorsal compreensível, criando paralelismos desconexos, como a linha do terapeuta que, vezes, parece deslocada no tempo, outras não, além de contemplar conflitos isolados que não agregam à evolução da trama principal, como o flerte do estudante de medicina. O roteiro acaba por apelar por cenas de impacto, seja visual ou musical, deixando de explorar as idiossincrasias da carência, da solidão, das expectativas emocionais, de obsessões, e até da loucura com mais assertividade, criatividade e profundidade.


A direção de Lili Horvát é competente, com bastante êxito em imprimir estética noir, mas, ao mesmo tempo, confusa, quando a deixa de usar, especialmente, nas cenas de terapia. Natasa Stork, a Marta, está exageradamente blasé para uma personagem demais dicotômica entre a exímia competência e a extrema loucura. Viktor Bodó também se perde em superficialidade, muito por conta do texto, que não evolui a sua personagem. Os critérios técnicos são satisfatórios, sem grandes destaques.

#PreparativosParaFicarmosJuntosPorTempoIndefinido parte de uma ideia interessante, mas cujo desenvolvimento deixa muito a desejar por obscurecer o desenvolvimento com suspenses psicológicos em excesso. Uma opção para um dia vazio.