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  • Cardoso Júnior

Os Espíritos de Inisherin – EUA -2022


Martin McDonagh, o genial diretor roteirista de obras como “Três Anúncios para um Crime”, retorna com uma obra respeitável partindo de argumento bastante simples que, aos poucos, vai nos conduzindo para um conto dramático com boas pinceladas de humor e que tange às raias do absurdo.


Utilizando-se de tradições e cultura local, o originalíssimo roteiro utiliza-se de alegorias, algumas sutis metáforas e de um impasse banal para criar um poderosíssimo retrato sobre relacionamentos interpessoais com consequências imprevisíveis que muito surpreendem.


Inusitado, o democrático roteiro, repleto de camadas sobre sua aparente simplicidade, oferece oportunidades a todos do elenco principal e de apoio (todos irlandeses), ótimas oportunidades de brilharem construindo o melhor trabalho até então de Colin Farrell e do Brendan Gleeson sem deixar de chamar a atenção para a força interpretativa do Barry Keoghan e da linda Kerry Condon. É como no teatro: Se entrar em cena terá seu momento de brilho.


Talvez alguém possa alegar uma certa lentidão no desenvolvimento, mas ela é inteiramente pertinente em um lugar onde o tempo não passa, não existem novidades, nem muitas esperanças e anseios, mas certamente em momento algum se torna monótono. Pelo contrário; a tensão paira no ar das belas paisagens e das idiossincrasias.


Com belíssima fotografia em planos gerais, trilha sonora evolutiva e grande apuro técnico, #TheBansheesofInisherin é a prova cabal que cinema é uma estória muito bem contada e, quando isso é alcançado em sua excelência torna-se um espetáculo tão surpreendente quanto magnífico.

Vale ver uma segunda vez.




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