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O Conto de Silyan – Macedônia do Norte – 2025

  • Foto do escritor: Cardoso Júnior
    Cardoso Júnior
  • 5 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de out. de 2025

Analise 1.769

O terceiro longa da diretora macedônia Tamara Kotevska 'Honeyland' que conseguiu a proeza de ser indicado ao Oscar 2020 nas categorias de Melhor Documentário e Melhor Filme em Língua Estrangeira. (Análise nº 1.190), volta agora aos holofotes concorrendo a Melhor Filme Internacional no Oscar 2026 pelo país.

Misturando com muito encantamento uma parábola secular com a natureza, uma economia em declínio, uma família de agricultores com uma belíssima e tocante amizade entre um homem e uma ave, a diretora se nos apresenta uma cinematografia impecável e arrebatadora, uma trilha sonora rememorativa e uma edição mais que primorosa para contar-nos uma estória contemporânea e atemporal utilizando-se do fato que a maior população de cegonhas brancas do mundo encontra-se no interior da Macedônia.


Com sequencias mais que impressionantes focando a enormidade de ninhos gigantes empoleirados em telhados das casas, torres de igreja e quase todos os postes de energia elétrica, além de revoadas espetaculares e closes documentais belíssimos em meio a semeadura e colheita de batatas, pimentões e melancias, evoca, no início, o esplendor da terra e da vida no planeta.   

No entanto, como o governo redefiniu preços para baixo, essas toneladas de alimentos colhidos não conseguem ser vendidas indo parar, tristemente, em lixões para que apodreçam. É de doer o coração.

Com a debandada dos agricultores da vila para outros países em busca de sobrevivência, o protagonista se vê apartado da sua família – assim como a garça, mas por motivos diferentes – e fica sozinho entre casas e terras abandonadas apenas com um amigo nas mesmas condições compartilhando gentilezas humanitárias.


O encontro do fazendeiro com a garça de asa quebrada e a relação casual que se estabelece gradativamente entre eles (e aqui há um mistério sublime que o público reconhece), é repleto de ternura enquadrados lindamente sem a utilização de IA.

Com o tocante apego dividido entre homem e animal em seus breves 81 minutos, construindo uma metáfora portentosa, todo o cenário pós apocalíptico que se abateu sobre a vila poderá mudar através de novos estímulos, num exemplo belíssimo de arte e simbiose entre a humanidade e a natureza mostrado para nós com uma habilidade impressionante de entrelaçar o lúdico com a realidade sem olvidar de temas como migração, alterações ambientais e resiliência.


A força emocional de O Conto de Silyan está mais no que sugere a estória do que na realidade factual, mesclada sempre de forma sutilmente onírica e dentro de uma fantasia que oscila entre o impressionismo e a fábula formatando um documentário que vai além do improvável enquanto se encaixa, a perfeição, na contemporaneidade.

Imperdível!

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