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  • Cardoso Júnior

Mother – A Busca Pela Verdade — Coreia do Sul – 2009

Atualizado: 19 de Ago de 2020


Roteirizado e dirigido por Bong Joon-ho (Parasita), #Mother é a prova que para tornar-se um dos principais nomes do Cinema mundial, é preciso ter trabalhos de altíssima qualidade que configurem uma assinatura fílmica que chancele o nome por suas características artísticas, afinal, cinema não é uma brincadeira e sim, a Sétima Arte.

Em seus 130 minutos do que se esperaria de uma trama policial no estilo hollywoodiano, Bong desvia-se do óbvio e do comum brincando conosco ao construir uma intrincada narrativa de buscas onde a verdade se nos aparece em várias cenas que, no entanto, não percebemos enquanto nos leva de surpresas em surpresas numa jornada investigativa onde o que é aparece misturado com o que não é e cada pequeno detalhe pode crescer em importância.


Partindo de uma relação maternal protecionista e de um assassinato, o mais que bem amarrado enredo caminha por entre vários temas e conflitos inserindo-se no drama sem olvidar de breves momentos de humor inteligente onde, os poucos e potentes personagens vão ganhado camadas de complexidades surpreendentes transmitidas de forma magnífica pelo espetacular elenco de primeiro e segundo plano.

Assim como em Memórias de um Assassino” (Análise nº 1.215), Bong não passa batido pela crítica a ineficiência ou incompetência do sistema policial bem como o desinteresse dos representantes do judiciário inserindo em sua estória uma gama coesa de temas enquanto nos presenteia com seu estilo todo próprio de enquadramentos espetaculares que não apenas ajudam a contar a estória como abrilhantam cada cena embalada por um trabalho de fotografia em azul e camurça que embelezam a melancolia de cada quadro.

A eficácia em criar sequencias de máximo suspense através de pequenos objetos impressiona no mesmo compasso que a trilha sonora tonifica nossas emoções na medida certa que a hábil montagem impulsiona um conjunto técnico elegante e mais que admirável.

Assim, #Mother, equidistante léguas de produto de massificação mental/ comercial, configura-se, em última forma, num estudo profundo sobre a obsessão cega que nos faz refletir sobre a força, a coragem e a fragilidade da maternidade.