Kokuho- O Preço da Perfeição – Japão – 2025
- Cardoso Júnior

- há 2 horas
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Analise 1.811

Selecionado entre os 15 Melhores Filmes Internacionais no Oscar 2026, mas que, infelizmente não passou para o seleto grupo dos 5, com muita injustiça, só parcialmente reparada por estar indicado na categoria Cabelo e Maquiagem, essa magnífica obra repleta de beleza, sensibilidade e delicadeza é um verdadeiro épico sobre dedicação e superação em busca do perfeccionismo artístico empreendida por um ator desde sua juventude até sua velhice.

Sem presa, em suas quase três horas de duração, o interessantíssimo roteiro começa em 1964, com um jovem de 14 anos, superando todos os enormes desafios para um dia, se tornar o melhor ator na categoria Onnagata (o homem que faz a mulher no teatro Kabuki), configurando-se em um dos mais interessantes, instrutivo e bela produção de 2025, tendo sido o filme com maior bilheteria de todos os tempos no Japão, tornando-se um feito histórico no país do sol nascente.

Por certo, não é um filme para todos, uma vez que investe pesado em retratar os costumes, as tradições, e o pensamento da sociedade japonesa – inclusive nos dias atuais – o que pode nos parecer algo incompreensível uma vez que, ocidentais que somos, tradições milenares e respeito por tudo que nos cerca não fazem parte do nosso dia a dia.

Contudo, superando esse natural estranhamento com uma cultura muito diferente da nossa, essa belíssima estória que também é sobre a linha tênue que separa uma verdadeira amizade de uma rivalidade, entre talento e hereditariedade e, para ajudar o público a acompanhar/ entender o teatro kabuki e o que vai se desenrolar em tela, sempre há o recurso de um letreiro explicativo que muito ajuda no emaranhado de situações que perpassam pela técnica dos atores, no orgulho da profissão e no árduo desenvolvimento de uma carreira.

Independentemente disto, Kokuho- O Preço da Perfeição, é uma produção majestosa e reverente onde a direção investe na beleza contida em cada fotograma e diferentemente de filmes que se utilizam do feio, do grotesco, do bizarro para gerar interesse comercial (técnica já muito explorada) aqui, é a beleza das imagens que atingem um grau de perfeição e deslumbramento que nos levam a uma sensação onírica que nos acompanha ao longo de toda produção.

Com grandes destaques para as atuações, para o incrível trabalho de maquiagem, para os deslumbrantes figurinos, cenários e enquadramentos, sejam nos palcos ou na vida real que nem sempre anda em harmonia com os dramas encenados, tudo, absolutamente tudo é deslumbre para os olhos e puro encantamento para a alma.

De minha parte acho lamentável que não tenha conseguido um top 5, mas entendo que em uma sociedade capitalista, o que promete ser mais comercial e, portanto, mais rentável acabe por empurrar a pura e verdadeira arte cinematográfica para escanteio, mas não posso deixar de cravar que eis um filme – chega em março no Brasil- que se configura em um eloquente poema visual enquanto transita por questões importantes como: Legado, talento inato, ambição ferrenha, arte na essência, cultura milenar e sociedade atual.
Merece ser aplaudido de pé e sem parar.

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