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  • Cardoso Júnior

Minha Zoe – Alemanha -2020


O sétimo e ousado longa dirigido pela atriz-cineasta e roteirista Julie Delpy inicialmente parece querer tratar de um potente drama conjugal com ótimos aprofundamentos sobre o que é ser mãe e a inenarrável dor da perda e, quando tudo isso vai muito bem, obrigado, arrisca-se a mudar o foco iluminando um panorama tão inesperado quanto intrincado e que bota por terra toda a credibilidade tão bem construída inicialmente enveredando por uma ousadia que, embora envolva o espectador no desenvolvimento, descamba numa série de improbabilidades.


É na ruptura do realista e palpável drama sobre casamentos desfeitos e compartilhamento de custódia de filhos por uma sequência discretamente futurística e hipotética em busca de suscitar questões éticas e morais pouco desenvolvidas que, a súbita alternância de gênero fílmico que a conexão do expectador com a dor maternal tão bem construída vai levando o roteiro em seu terceiro ato pra um nítido desequilíbrio que beira o insatisfatório.

Com fotografia que aposta numa paleta de cores vibrantes e uma inteligente e discretíssima transição para o fu-turo, #MyZoe, permite um show de desempenho de Delpy, deixa pouco espaço pro Daniel Brühl e, mesmo que aceitemos a improbabilidade de uma cientista e bióloga enveredar por ações tão drásticas , ainda assim, mesmo estando bem distante do ruim, não promove as discussões que provoca gerando leve descontentamento com seu final perturbador, mas nunca surpreendente ou impactante.


Ps1: Disponível em VOD