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  • Fábio Ruiz

A Pior Pessoa do Mundo — Noruega— 2021


Em doze capítulos, um prólogo e um epílogo, que seriam descartáveis não fossem os seus títulos, #APiorPessoaDoMundo narra a estória de Julie, por um período de tempo, para estabelecer as conjunturas nas quais ela, tacitamente, considera-se a pior pessoa do mundo, estabelecendo-as em seu universo familiar, profissional e amoroso. O texto tem, como maior mérito, a poesia, sem tornar a narrativa enfadonha, e utiliza recursos visuais para adicionar à poética, como efeitos especiais, que cabem, como uma luva, na dramaturgia.

O roteiro também é relevante no sentido de que muitas, mas muitas, pessoas possuem autocrítica tão elevada, ao ponto de diminuir suas auto-estimas e se considerarem menores e menos merecedoras do que, efetivamente, são, acabando por se auto-sabotarem. O texto ainda há uma sequência onde Aksel, um dos namorados da protagonista, discute com duas feministas radicais as questões do politicamente correto, expondo não somente o ridículo dessa política, mas também a sua nefasta ingressão sistêmica em nossa sociedade, visto o posicionamento da personagem principal. Aksel lavou a alma dos dissonantes.


Em #VerdensVersteMenneske, a direção é excelente, principalmente no quesito condução dos atores, mas também no quesito precisão e concisão, não há enquadramentos, sequências ou movimentos de câmera irrelevantes. Apesar da interpretação de Renate Reinsve, que levou o prêmio de melhor atriz em Cannes este ano, ser estupenda, Anders Danielsen Lie consegue ser ainda melhor, em uma atuação demais esmerada e muito emocionante, e Herbert Nordrum, que completa o trio protagonista, também, em performance notável. Quesitos técnicos são todos excelentes, maior destaque para a fotografia, a música, efeitos especiais e edição.

#TheWorstPersonInTheWorld, uma obra de arte, que exemplifica que o cinema além Hollywood, já supera a maioria da indústria, em dramaturgia, técnica, poesia, enfim, em todos os quesitos. Imperdível.