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  • Cardoso Júnior

E Então Nós Dançamos - Suécia- 2019

Atualizado: Fev 3


Lançado na Quinzena dos Diretores em Cannes, o sensível trabalho que representou a Suécia no Oscar 2020, trata do impasse cultural entre tradições milenares e a globalização, aproveitando uma estória simples que transita pelo drama leve de um romance adolescente, mas fazendo um interessantíssimo mapeamento de modos e costumes de um país com sociedade nada liberal.

Com roteiro ambientado nos bastidores de uma companhia de dança tradicional georgiana (república que fazia parte da URSS), e todo falado em georgiano (benditas legendas), #AndThenWeDanced utiliza-se da linguagem sensual da dança para criar de maneira muito peculiar um cenário competitivo em um universo onde os jovens georgianos de vari-adas classes sociais disputam um espaço que lhes permita uma carreira financeiramente bem sucedida dentro do balé nacional em um país ainda com poucas oportunidades de sucessos profissionais.


Focando na desgastante rotina de sobrevivência do jovem protagonista para sustento da família enquanto faz malabarismos para se sobressair na dança como única forma de garantir um futuro ‘seguro” e na disputa por uma vaga no corpo principal, o roteiro não apresenta nada inovador ou mesmo impactante entre os jovens repletos de alta carga hormonal, mas a inusitada fotografia e a espetacular montagem criam um elemento imagético, estrutural e narrativo difícil de deixar de acompanhar com interesse.

Perdoando alguns clichês de gênero, previsibilidades sequenciais e ausência de aprofundamentos nos personagens secundários por conta da empática e magnética profundidade emocional do ator-dançarino georgiano que cativa e impressiona a to-dos, essa estória sobre preconceito e falta de perspectivas dentro de uma jornada de amadurecimento consegue mostrar que sentimentos e tensão sexual são iguais em qualquer parte do mundo independente do contexto em que brotam.

Interessante ressaltar que em #EEntãoNósDançamosas a banda sonora é magnífica, que as duas cenas de sexo são plasticamente elegantes e comedidas, mas de teor erótico pouco visto nas telonas e que a diálogo entre os irmãos é de uma delicadeza fraternal comovente, mesmo numa proposta onde as imagens falam mais que palavras e que, por isso, o trabalho de câmera seja digno de nota.




Ps1: Distribuído pela #ZetaFilmes esteve em cartaz nos bons cinemas em dezembro 2019, mas não foi notado pelos pseudos-cinéfilos que correram para ver sabres luminosos.

TRAILER