• Cardoso Júnior

O Corvo Branco – Reino Unido- 2019


Baseado no livro Rudolf Nureyev: The Life, roteirizado por David Hare (As horas, 2002) e sob a terceira direção de Ralph Fiennes, a cinebio sobre o gênio que revolucionou o balé masculino no XX, oferece, para quem nunca ouviu falar, um excelente e íntimo retrato do jovem temperamental que desafiou o rígido controle do regime soviético desertando para o ocidente, pedindo asilo político na França protagonizando um caso que ocupou as manchetes dos jornais do mundo inteiro por longo período.

O roteiro é feliz em algumas etapas como a de entregar ao público uma panorâmica que parte da excursão da companhia de balé do teatro Kirov a Paris (1961), alternando com muitos flashes que vão desde o insólito nascimento de Nureyev, sua infância, sua adolescência, com foco nos muitos anos de espartano treinamento e formação na dança sem esquecer-se do embate entre a disciplina estatal e a rebeldia inconformista de um artista irrequieto e sedento por conhecer tudo sobre todas as artes.

Fiennes reserva para si o papel de coadjuvante numa interpretação bem contida, talvez pelos diálogos em idioma russo, Adèle Exarchopoulos (Azul é a cor mais quente), oferece um bom suporte à grande revelação, o ucraniano estreante em atuação, Oleg Ivenko, primeiro bailarino da companhia de Kazan, que cumpre magnificamente o quase impossível desafio de personificar Nureyev dançando.

Tecnicamente bem realizado, #TheWhiteCrow , que estanca a narrativa logo após a cena da deserção, perde bastante de sua potência dramática em cenas contemplativas e longas que, se editadas para um tempo menor visando maior dinamismo cênico, estaria mais em uníssono com o duelo entre o regime político opressor e o jovem corvo branco com ânsias de voar.

Ps1; Disponível em VOD

TRAILER

#ReinoUnido #Europa #Análise

14 visualizações