• Fábio Ruiz.

Poderia Me Perdoar? – EUA – 2018


#PoderiaMePerdoar? é a adaptação para o cinema do livro Poderia Me Perdoar: Memórias de Uma Falsificadora Literária, de Lee Israel, sua protagonista, e foca o período em que a autora, de biografias bem-sucedidas, não consegue mais trabalhos ou adiantamentos para novos livros por causa de sua personalidade taciturna, que a isola da sociedade, e, para sobreviver, falsifica e vende cartas de personalidades da literatura e cinematográficas.

O roteiro, linear, de Nicole Holofcener e Jeff Whitty, indicados ao Oscar, seria comum e contaria uma simples e interessante história, baseada em fatos reais, como tantas outras, não contivesse esse uma crítica da protagonista e da personagem Jack Hock, desnudando, entremeado à narrativa, suas personalidades atípicas e difíceis, que no caso da escritora a isolava do mundo e de Jack, o colocava em constantes perigos. Os dois são discretamente dissecados durante a projeção sem que a espinha dorsal, que narra suas histórias, perca importância ou rumo, e, simultaneamente, faz uma crítica aos mercados literário e de preciosidades literárias.

Melissa McCarthy, mais conhecida por comédias, surpreende demais em um drama, concedendo humanidade a Lee Israel, uma personagem dificílima, e explorando muito bem os conflitos da trama. Com certeza, o melhor trabalho do ano depois da atuação de Gleen Close em A Esposa. Já Richard E. Grant, no papel de Jack Hock, também excelente, merecia ganhar os principais prêmios de ator coadjuvante este ano, pois sua atuação parece superior à de Mahershala Ali em Green Book. O resto do elenco é bastante competente. A condução de Marielle Heller é excelente, com planos e distanciamentos oportuníssimos que ajudam a desnudar essas personagens tão peculiares, além de instruir muito bem todos os atores em cena. A música adiciona suspense com tonalidade cômica à trama, aliviando-a um pouco do peso da história. Fotografia, arte e edição são ótimos.

Uma narrativa simples, que se aprofunda revelando duas personalidades singulares, duras e difíceis, com muita humanidade, suspense e bom humor. Vale assistir.

Em Cartaz. Fox Searchlight Pictures #FoxSearchLightPictures#FoxFilmDoBrasil

TRAILER

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