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  • Fábio Ruiz

O Primeiro Homem– EUA – 2018

Atualizado: Ago 22


“Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade” disse, ao pisar na Lua pela primeira vez, Neil Armstrong. O Primeiro Homem de Damien Chazelle versará exatamente sobre a humanidade, não o coletivo, mas as idiossincrasias e a trajetória da protagonista, em jornada pessoal originada em 1961, enquanto piloto de testes voando o X-15, até o retorno seguro da missão à Lua, Apollo 11. O texto preciso de Josh Singer engloba os principais acontecimentos, profissionais e pessoais, do percurso de Armstrong, e linearmente narra os obstáculos, nessas esferas, a transpor para o sucesso da empreitada, simultaneamente estabelecendo, com delicadeza, o relacionamento com Janet, sua esposa, e seus filhos, revelando a emocionante catarse do piloto em solo lunar, e provendo tensões envolventes a uma simples trama.

Chazelle, brilhantemente, distingue sua condução na vida pessoal e profissional da protagonista, empregando, com frequência na primeira, tonalidades amadorísticas de vídeos caseiros, na textura, na movimentação, nos enquadramentos, e, na segunda, uma mais técnica. Sua condução explora, primorosamente, os conflitos do texto, avolumando-os com oportunos e belos enquadramentos. Neil e Janet são lindamente retratados por Ryan Gosling e Claire Foy, que esculpem, com justeza, tensões, conflitos e ações, delineando as personagens com muita veracidade. Jason Clarke, Kyle Chandler, Patrick Fugit, Corey Stoll, Ciarán Hinds, Olivia Hamilton, entre outros, compõem o exímio elenco coadjuvante. A fotografia executa com maestria as decisões de condução, logrando seus objetivos; A música parece declamar o roteiro, anexando justos sentimentos às cenas; Os efeitos especiais, apesar da simplicidade, comungam, com o texto, a direção e a fotografia, suas intenções, agregando coesões; idem, edição e arte.

Surpreende a construção de um filme tão superlativo de texto tão simples e compacto, que abre, digna e distintamente, as apostas para a temporada de prêmios. Uma belíssima obra que, possivelmente, reclamará o título de clássico. Damien Chazelle e Josh Singer honram as estatuetas em suas prateleiras. Imperdível.

PS: Em cartaz.

TRAILER

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