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  • Fábio Ruiz

Lou – Alemanha - 2016

Atualizado: Ago 21


Lou, Lou Andreas-Salomé, já é uma senhora nos seus setenta quando Ernst Pfeiffer bate a sua porta, desencadeando sua biografia, que revela, mais uma vez, a luta de uma personagem, neste caso real, contra o destino que, certamente, lhe outorga o futuro: casar-se e desaparecer no olvidamento. O roteiro estampa a criança, então Louise von Salomé, lutar, com ajuda do pai, contra as práxis esperadas de uma menina de sua idade e nível social; a adolescente Lou von Salomé, nome que escolheu ao romper com seu destino na luta para educar-se; a adulta Lou Andreas-Salome, nome que adotou ao casar-se com o linguista Friedrich Carl Andreas, construindo uma fachada para a vida celibatária que escolhera, apesar da corte de Friedrich Nietzsche, Paul Rée e Rainer Maria Rilke.; e a idosa que no presente ficcional relata sua história a Ernst Pfeiffer. O distintivo do roteiro reside na humanidade da personagem que, ao quebrar paradigmas consolidados da sociedade, assume, deliberadamente, as consequências de suas escolhas, das suas mudanças de opinião e da remissão de seus erros. É curioso ver, figuras como Nietzsche, Rée e Rilke, apesar de toda a vanguarda de pensamentos, tentarem encaixar Lou no estereótipo da mãe de família e dona de casa, ao insistirem em casamento. A direção é interessante e usa de grande imaginação com o emprego de fotografias e postais da época associados com simples efeitos especiais que substituíram a necessidade de reconstruções de cenários que, com certeza, inviabilizariam o projeto. Nicole Heesters, a Lou idosa, Katharina Lorenz, a adulta e Liv Lisa Fries, a adolescente, fazem um belo trabalho com a personagem e o resto do elenco é bastante habilidoso. Lou é uma história contemporânea que ilustra que todas as lutas por direitos, liberdades e igualdades não são isentas de consequências ou responsabilidades, e só valem à pena e são dignas quando se assume essas para si. A escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé dá o exemplo, vale se inspirar, vale seguir, vale assistir.

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#Europa #Análise