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  • Cardoso Júnior

Carol- Inglaterra-2015

Atualizado: Ago 16


Partindo de outra adaptação literária, centrada nos anos 1950, onde não havia pressa para absolutamente nada, a direção opta por uma longa construção de personagens, mas tão lenta, tão lenta, que até os movimentos das protagonistas são letárgicos. Construído como uma espécie de colcha de retalhos, picotado ao máximo nas imagens sequenciais, este romance, quase um road movie, nada seria sem as presenças magnéticas de Cate Blanchett e Rooney Mara. Assistam,façam um exercício mental de imaginá-lo com duas atrizes desconhecidas e irão entender o que estamos falando... Cate e Rooney seguram o tedioso desenvolvimento, mas ainda que possa parecer um verdadeiro sacrilégio de nossa parte, Cate, em alguns momentos, empresta um tom teatral demais para sua Carol. Sinceramente? Ninguém retira o braço da manga de um roupão com tamanha teatralidade; talvez uma gueixa... Já Rooney Mara -que sempre apostamos-, tem um dos mais contidos e bem apresentados trabalhos de composição de personagem, com sua “Therese”, de toda sua carreira. Ficam obvio várias e merecidas indicações para ela como coadjuvante. Ok, existe toda gama de amor proibido em tempo proibitivo, questões de ordem moral, bons diálogos, figurinos primorosos, fotografia deslumbrante, mas a trilha sonora é nostalgicamente maçante no acompanhamento... Há que se reconhecer que a direção construiu bem as sutilezas, seja dos toques e olhares, situando a elegante narrativa entre o conservadorismo versus a tímida ousadia, fazendo de Carol o exemplo perfeito do elegantíssimo “discreto charme da burguesia”. Então, se você acredita em “ Amor a primeira olhada” e não se importa com um trabalho absurdamente dependente de suas atrizes, você até poderá não desgostar, mas será entre um disfarçado bocejo e outro. Caso contrário, recomendamos o tão desconhecido quanto maravilhoso “Far From Heaven” (Longe do paraíso 2002). A mídia cinematográfica pode aplaudir de pé, mas aqui, vimos Carol apenas como um belíssimo e requintado embrulho de presente com conteúdo que se extrai sentado...lentamente...preguiçosamente... sem direito a uau..nem no final...

TRAILER



#Europa #Análise #Oscar2016