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Um Pai – Eslováquia - 2025

  • Foto do escritor: Cardoso Júnior
    Cardoso Júnior
  • 27 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de jan.

Análise nº 1.800

Já com duas longas-metragens na bagagem a cineasta eslovaca Tereza Nvotová, tem muito bem delineado seus padrões autorais. Em Um Pai ou “Father”, sua nova obra, que estreou no Festival de Veneza, e representa a Eslováquia no Oscar 2026, a cineasta retoma seu assunto predileto que é a memória criando uma história baseada em fatos, que, na verdade é uma grande tragédia que leva um pai a um julgamento tumultuado por acusações da sociedade, da mídia, vizinhos e amigos como se já não bastasse a culpa que o devora.

Como não pretendo e nunca entro em spoilers para estragar a experiência do espectador e retirar-lhe o impacto da surpresa, me limitarei a dizer que a história é centrada em um pai muito amoroso que, em meio ao stress diário e a um sem número de sérias preocupações acaba por sofrer de uma síndrome pouco conhecida - mas que já lemos sobre as consequências sem saber da existência dela - que ocasiona uma tragédia impensável e que é muito bem explorada pelo roteiro mostrando-nos que a memória, sob certas circunstâncias, pode e cria armadilhas que nosso cérebro não percebe nem registra.


Com uma câmera de mão com longos planos sequência que captam à perfeição todos os movimentos e emoções do pai, a diretora vai nos mostrando o tamanho de sua dor e aflição agravadas por acusações que sempre descambam para confrontos, seja na relação com a mãe, seja consigo mesmo ao descobrir que suas certezas não são tão seguras quanto imaginava gerando o pior de todos os julgamentos: A culpa.


Ainda que já tenhamos ouvido casos semelhantes, a diretora coloca-nos dentro da história acompanhando cada nuance e estudo da psique do pai, sem retratá-lo nem como vilão, nem como vítima, apenas o coloca – e a nós- em um lugar de profundo desconforto, sempre alerta e curiosos sobre as armadilhas da mente e do aniquilamento emocional do personagem enquanto sobrevive ao seu luto.

Mais que muito bem dirigido e magnificamente interpretado, Um Pai, com uma trilha sonora pulsante, é um filme que traz consigo uma inquietação que nos contagia inapelavelmente e que não nos alivia nem após seu desfecho.



TRAILER:


 
 
 

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