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  • Fábio Ruiz

Time – EUA – 2020


Um dos finalistas a uma indicação ao Oscar de melhor documentário, #Time, não é uma obra de arte, e não é deslumbrante, como o seu pôster tenta emplacar, mas um equívoco que reforça narrativas raciais nos EUA, criadas por progressistas, que não têm compromisso com a realidade a não ser transformá-la em suas fantasias. O texto acompanha o casal Sibil e Robert, presos por roubarem um banco, ela, condenada a doze anos em acordo com a promotoria, e ele a sessenta, por não fazer o mesmo acordo, por um crime pelo qual poderia ter sido encarcerado por noventa, no período de vinte anos em que ele permanece preso, no momento em que pleiteia mais uma vez sua liberdade condicional, e no qual ela, após deixar a prisão, alcança algum sucesso financeiro, que a possibilita lutar pela causa do marido e criar seus filhos.

A falha principal reside no fato de que, apesar de se desculpar por seu crime neste período, com “desculpe-me por minhas escolhas”, Sibil, agora conhecida por Fox, em momento algum assume responsabilidade por suas ações, ela acreditava que não cumpriria tempo algum com seu acordo, e se ressente por ter cumprido, e também acredita a pena de seu marido ser completamente desproporcional. Não seria a sua compreensão de que erros foram cometidos e o pagamento do preço de “suas escolhas” à sociedade a principal lição a se tirar da experiência do encarceramento? Parece que nem Fox, nem Rob a aprenderam, e, pior, fazem seus filhos acreditarem que são vítimas e não os perpetradores neste cenário.


A situação ainda piora quando tanto Fox, quanto sua mãe, atribuem responsabilidades às questões raciais por suas agruras e as de seu marido, com o discurso de que o sistema penal americano é uma forma de escravidão, e Fox se auto-entitula uma abolicionista, como se esse fosse exclusivo para negros e como se brancos não fossem subjugados às mesmas leis e ao mesmo sistema. Sua mãe consegue ir ainda mais longe, quando diz ser essa escravidão uma vingança pessoal, e não o acerto de contas de criminosos com a sociedade por delitos cometidos.

Fox reclama de ter que abaixar e tossir para ter suas partes íntimas examinadas, do número de visitas mensais ao marido, do tempo e do processo das ligações telefônicas, do atendimento moroso da justiça às suas insistentes demandas por informações, o que leva completamente para o pessoal, e para o qual externa “sua vingança” por seu sucesso, mostrando que nada aprendeu, aparentando desejar um tratamento de hotel cinco estrelas em um sistema prisional.


Por fim, seu egocentrismo fica patente por suas atitudes, e pelo registro pessoal, filmando-se em diversas situações em época que nem selfies existiam, e por acreditar ser vítima de um sistema que persegue negros ao invés de punir crimes cometidos por qualquer cidadão. É patente sua arrogância nos excertos gravados especificamente para o documentário, que reforçam o seu sucesso e, consequentemente, a sua vingança através desse, em todos os seus quadros.




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