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  • Fábio Ruiz

Palm Springs – EUA – 2020


O roteiro de #PalmSprings, de Andy Siara, evidencia que uma boa ideia pode ser reciclada sem perder a originalidade. O texto nitidamente remete ao renomado Feitiço do Tempo, com Bill Murray e Andie MacDowell, mas se distingue não somente trazendo outras personagens para a elipse temporal, mas facetas de questões morais que transcendem a personalidade da protagonista, analisando comportamentos de personagens anteriores à prisão temporal, na forma como a trama é revelada aos espectadores, em seu desfecho, que apesar de parecido com o de seu precursor, ocorre de forma bastante diferenciada e perspicaz, e, especialmente, nas formas transacionais do reinício de cada ciclo, de cada repetição do dia.

A direção do inexperiente Max Barbakow é supreendentemente muito boa para um primeiro longa metragem, tendo que implementar intricadas passagens de tempo, o que faz com grande aptidão, e seus enquadramentos e distanciamentos são bastante oportunos. A escolha de Andy Samberg também remete ao precursor, pois, comparada à de Murray no lançamento do filme, sua carreira guarda muitas semelhanças nos quesitos gêneros e tipos de personagens, e faz jus à referência em excelente atuação, a melhor no gênero comédia do ano; J.K Simmons, em pequeno papel e grande atuação, cria personagem diferenciada e verossímil dentro de um universo fantasioso; e Cristin Milioti aproveita sua primeira oportunidade em destaque e entrega atuação muito boa. A edição se destaca dos demais critérios com muita coesão nos cortes, especialmente, naqueles que implicam em passagem temporal, e corrobora as passagens de tempo subliminares do texto e da direção. Demais critérios técnicos são ótimos.

Palm Springs, com temática nem tanto original, mas que se faz demais relevante não nas semelhanças mas nas diferenças. Vale muito assistir.