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No Caminho – México- 2025

  • Foto do escritor: Cardoso Júnior
    Cardoso Júnior
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

Analise 1.821

Indicado pelo México para concorrer ao Oscar 2027, No Caminho, guardada as devidas proporções, basicamente insere-se dentro do nicho já explorado por Brook Black Mountain, entre outros, onde o universo homossexual é visto transitando por território super masculinizado como, no caso, o dos caminhoneiros mexicanos.


Dirigido e roteirizado por David Pablos, o longa se diferencia um pouco do acima citado por enveredar pelo gênero dos thrillers sem, em momento algum enveredar pelo romance ou amor, preferindo explorar apenas a solidão que descamba no desejo e, consequentemente, na violência visceral e realista que o macro cosmo e as personagens das estradas se sustentam.


Distante de um filme queer -como pode parecer na primeira cena- é focado basicamente em dois personagens que o destino aproxima e que passam a viajar juntos, o roteiro explora ao máximo e, profundamente, a mais que complexa relação entre eles explorando a alternância de várias dinâmicas como jogos de poder, cumplicidades, trafico de drogas, prostituição, amor e ódio em um mundo onde ninguém pode confiar em ninguém.


Dentro dessa atmosfera, fica fácil para o espectador prever que o caminho não pode e nem irá terminar bem e, o como isso se dará, é o que faz o pico de atenção ou interesse se manter estável e acompanhar a jornada facilitado pelo ritmo ágil e muito bem construído da narrativa que, sabiamente, esconde o que passa na cabeça dos dois personagens tornando suas ações e reações imprevisíveis.


Quanto a sexualidade, a direção opta por retratar os corpos e as cenas de sexo de forma frontal, crua e sem pudores diante da nudez masculina explorando a masculinidade de forma natural, mas sem afrontamentos ou vulgaridades evidenciando a realidade do mundo dos caminhoneiros onde o sexo é só uma troca momentânea, sem ternuras, apenas um extravasamento de virilidades por conta de carências e solidões mostradas e encaradas com extrema naturalidade e sem fetiches por todos aqueles que vivem nas estradas.


O espelho de um México onde a violência e o controle férreo dos cartéis é muito bem trabalhado criando um ambiente de medos e tensões constantes, repleto de riscos e incertezas seja nas escuras rodovias ou nas paradas com suas lanchonetes e albergues lúgubres onde o perigo de uma emboscada é pungente e concreto nos é mais que mostrado, é algo que o público sente na carne como o cheiro de pneus, borracha, óleo diesel, poeira, suor...e sangue.   


Com corretíssimas atuações e fotografia elaborada tanto quanto a trilha sonora, No Caminho, dificilmente chegará a um Top Dez, mas cumpre impecavelmente com sua proposta de não se desculpar por nos contar sobre um mundo real e atual formatando um cinema de impacto e combustão.


TRAILER


 
 
 

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