Cinco Tipos de Medo – Brasil – 2026
- Cardoso Júnior

- há 10 horas
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snalise 1.820

Tendo sido o vencedor do Festival de Gramado 2026 em Melhor Longa Metragem, Roteiro, Montagem, Ator Coadjuvante e um dos dez semi finalistas a ser selecionado para representar o Brasil no Oscar 2027, Cinco Tipos de Medo com sua pegada de thriller de ação e suspense com seu roteiro não linear, é mais outro filme sobre pobreza, comunidades, tiros e violência explícita com banhos de sangue configurando-se em um péssimo retrato sobre um Brasil que existe sim, mas que me faz questionar se não temos nada de bonito para mostrar para o mundo.

O diretor – roteirista, Bruno Bini, monta uma sequência de brutalidades que geram retaliações criando uma cadeia ininterrupta entre cinco personagens utilizando-se do já bem conhecido sistema de cruzamentos de desconhecidos e ou junção de destinos formatando uma ciranda sem fim de fatalidades e selvagerias muito bem embaralhadas cronologicamente compondo uma dinâmica que enriquece o enredo – ainda que o recurso nada tenha de novo - ao mesmo tempo que exige do espectador uma boa suspensão de descrenças.

Cinco Tipos de Medo também se utiliza de uma dramaturgia que “força” um apelo as emoções quase como uma chantagem muito bem feita (fácil de cair), para reforçar sua estória sem dar nenhum espaço ao público a qualquer tipo de reflexão e, na realidade, se salva mais pelas atuações bastantes confiantes de todo elenco.

Infelizmente a ótima montagem que, inicialmente, parece muito engenhosa também acaba prejudicando o aprofundamento dos personagens engessando-os dentro dessa proposta desperdiçando o enorme potencial psíquico que poderiam apresentar diante de circunstancias tão penosas em detrimento da ação e reações sacrificando o humanismo em prol das bestialidades.

Por fim, eis um longa que, com seu foco no crime urbano, acerta na aposta de mostrar que todos nós, independente de bairros e classes sociais estamos e somos também vulneráveis as artimanhas do destino apenas por estarmos no lugar errado, numa hora errada ou numa relação potencialmente tendenciosa a tragédia e, por isso, sua evidente competência cinematográfica acaba deixando-nos com a certeza que já vimos essa mesma ou parecida estória contada uma dezena de vezes na tela e...de forma muito mais eficaz.

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