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  • Matheus F.

Kapaemahu – EUA - 2020



É certamente agradável quando histórias contadas, em quaisquer meios que sejam, se solidificam (com o perdão do trocadilho) em ritos, festividades, e arcabouços culturais que fazem parte da construção de diversas sociedades, se não de todas. Essas histórias que são contadas, muitas vezes através da “oralitura” e que não se deixam perder, mesmo que alterado seu formato, certamente valem a pena serem ouvidas.

“Kapaemahu” conta a história, na verdade reconta uma lenda havaiana, de 4 seres sobrenaturais cuja bondade somada a habilidade curandeira transformam a vida dos ilhotas de Waikiki, mas são capazes de permanecerem longe do esquecimento.


Para além do mito, o qual certamente mantém a curiosidade apesar dos curtos 8 minutos, o que vemos aqui é, não certamente uma crítica, longe disso. Mas uma forma de mostrar como os processos naturais de evolução e modernização dos povos pode ser implacável com o conhecimento atrelado aos mitos e ritos. Claro que a facilidade de acesso a toneladas de informação, podem ajudar (e ajudam) propagar e não deixar que essas histórias não caiam no esquecimento, mas é certo que muito da magia atrelada a essa transmissão desses saberes passa por essa figura, que talvez exista dentro da cultura havaiana, que conte e faça correr, como um Griot.

De toda forma, a animação, que se destaca entre os finalistas ao Oscar 2021, mantém um estilo de animação único e bidimensional, mas que carrega inúmeras referências, Príncipe do Egito da Disney e A Ganha-Pão que esteve entre os finalistas do Oscar em 2028, principalmente nas formas dos rostos dos personagens e cores dos cenários. Além é claro da narração, que são as únicas falas existentes para discorrer toda a narrativa que, também pode ser comparada, ainda que obviamente resguardada as devidas proporções, a figura africana do Griot.


Por fim, Kapaemahu é um curta lindíssimo, mas que peca talvez pela sua falta de universalidade. Não que eu queria uma “hollywoodização” dos curtas, mas que por se tratar de uma lenda havaiana, é bem provável que para o estrangeiro à cultura das pequenas ilhas estadunidenses, seu brilho se limite as questões supracitadas.




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