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  • Foto do escritorFábio Ruiz

Flag Day - Dias Perdidos — EUA - 2021


#FlagDay é um exemplar que suscita a discussão sobre o fisiologismo nas artes, especialmente no cinema, e demais em Hollywood, mas, antes de adentrar essa seara, a estrutura narrativa é comuníssima, começando e terminando pelo fim, e a trama do filme é banal, a relação disfuncional de um pai sem perspectivas e com atração pelo crime, e sua filha, que poderia seguir o mesmo caminho, mas faz outras escolhas, residindo nesse simples fato, melhores caminhos, seu maior valor. Entretanto, a narrativa é demais vazia, mais prolífica em imagens e “voices overs” do que em dramaturgia em ações e diálogos. E, neste ponto, adentramos o fisiologismo hollywoodiano.

Sean Penn dirige o filme, que traz no elenco, sua filha, Dylan Penn, como a protagonista, e seu filho Hopper Penn, em um papel secundário. Sua direção se destaca pela escolha de trilha sonora diferenciada, e enquadramentos bonitos para fazer seus filhos aparecem bem na fita. Contudo, a condução dos atores, e a sua própria atuação, deixam demais a desejar. Dylan é caricata, não tem inflexões que não flertem com o grotesco, e a ausência de entonações em seus “voice overs” é patente, pasteurizando tudo em sua interpretação, amenizada pelo texto com mais imagens e narrações sobre essas do que ações e diálogos, para tentar emplacar a sua fraca atuação. Hopper parece um pouco melhor, mas pouco se exigiu dele, e, sua idade e a barba cerrada, mesmo em sua ausência, descredencia suas cenas como adolescente, a maquiagem não conseguiu esconder sua maturidade. Sean Penn beira a canastrice, muito longe de outras interpretações suas, talvez o peso da direção e atuação concomitantes tenha afetado a última. Demais critérios técnicos são muito bons, especialmente a fotografia.

Dito isso, a hipocrisia hollywoodiana é exposta com filmes como esse. Atores como Sean Penn, ativista por inclusões, deliberadamente, em prol de sua prole, favorecem-na em detrimento de inúmeros atores que buscam um lugar ao sol em sua arte e veem oportunidades ceifadas por filhos de celebridades favorecidos por seus pais — poucos são aqueles que não tentaram emplacar e garantir o futuro de seus filhos, que, na maioria das vezes, são muito menos talentosos do que seus progenitores, raras, as exceções —, denotando sua política de exclusão, que, francamente, vai de encontro as suas narrativas inclusivas.

#FlagDayDiasPerdidos, um filme comum, com estória desinteressante, baseada em fatos reais, que perde muito pelo fisiologismo hollywoodiano, que entuba, nos espectadores, pseudo-talentos, como muitos vistos no mercado. Vários ainda emplacam, apesar de suas competências duvidosas, com a influência de seus sobrenomes, mesmo quando não o usam; a maioria volta ao anonimato; e, pouquíssimos demonstram arte diferenciada, mas, com certeza, inúmeros mais capacitados atores, que não tem a sorte de um berço esplêndido na profissão, jamais serão descobertos. Se isso não é exclusão, o que seria então? Flag Day —uma hora e meia perdida.



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