Bugonia – EUA -2025
- Cardoso Júnior

- 28 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de nov. de 2025
Analise 1.789

Há duas maneiras de apreciar este filme: A primeira é assisti-lo como vem e, a segunda, é ter o conhecimento prévio do filme coreano que o inspirou; “Salve o Planeta Verde” de 2003 (que pode ser lido aqui) e ambas vão decepcioná-lo. Se você teve a sorte e o prazer de assistir a obra original, então poderá, inclusive, ter uma experiência que o deixará muito triste.

É claro que quando se trata do genial diretor Yorgos Lanthimos, que já nos deu clássicos como: Dente Canino, O Lagosta, A Favorita e Pobres Criaturas ( todos comentados aqui) a expectativa vai para a estratosfera e, embora a premissa seja a mesma -Um homem que acredita cegamente que está salvando o mundo de uma invasão alienígena- o roteiro e a direção buscam uma visão muito contemporânea e norte americana tornando-se um produto de vitrine do seu próprio estilo e um trabalho puramente comercial.

Ok que ele introduz com mais força uma potente critica a indústria farmacêutica, a crise ecológica do planeta e, até a provável extinção do Homo sapiens, entretanto, o roteiro, assinado por Will Tracy põe por terra o roteiro original preferindo compor um thriller caótico e exagerado com cenas de pouco impacto narrativo compondo o filme mais irregular da carreira do diretor por nunca definir se é uma sátira ou ficção preferindo fortificar a estranheza a qualquer custo e perdendo a oportunidade que sustenta a obra original que é a dúvida que perdura até o final na cabeça do público.

Aliás, a tensão crescente que o roteiro de “Salve o Planeta Verde", aqui se revela apenas parcial uma vez que falha miseravelmente em levar o publico para a dúvida – sustentáculo de toda a estória – e, ainda, vai para o anticlímax quando apresenta respostas concretas respondendo perguntas que destroem por completo o único elemento que o fazia interessantíssimo ao preferir apostar forte mais na estranheza que na empatia. Na explicação e não no mistério.

Assim, apesar do trabalho magnífico de Ema Stone e Jesse Plemons, Bugonia colapsa e implode ao perder o riso fácil – ou nervoso - do texto original, preferindo a bizarrice de cenas altamente grotescas e sem profundidade, configurando-se na construção milimétrica e sistemática de um espetáculo para referendar a assinatura fílmica do diretor, mas que resulta em vazio emocional sem a criatividade ou inovação que se esperava dele adaptando uma obra deste calibre.
Ps 1: Por sorte ou por tristeza há uma grande chance de gargalhadas com o figurino esdrúxulo da cena final. Seria tricô ou macramê? Alguém me ajuda!
Ps 2: Aconselho fortemente assistir o original e, realmente, nunca mais esquece-lo, mesmo que esteja em formato de filme B que é exatamente a jogada certa..

TRAILER




Comentários