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  • Matheus F.

Black Mirror: Bandersnatch - EUA - 2018



Buscar novas maneiras de entreter é sempre uma coisa válida, principalmente quando envolve algo razoavelmente congelado como o cinema. O que não significa, necessariamente, que veremos ótimas novidades surgindo sempre que falarmos em inovação.


E dentro dessas tentativas muitas e constantes de apresentar sempre algo novo que agrade ao público, nos deparamos então com o primeiro filme da série #BlackMirrorBandersnatch. E que felizmente aparece aqui com caráter de “originalidade” por sua proposta interativa, e digo felizmente pois seria de um tremendo saudosismo sem fundamentos e com toques até de crueldade acreditar que esse conceito de interatividade, trazido pro universo cinematográfico, pudesse fazer mal a “alma do negócio”.



Mas veja bem, apesar do título de filme e de ser caracterizado como tal. Seja de maneira positiva ou não, vamos trata-lo como um jogo. Afinal está bem distante de um episódio comum da série, acreditando ainda que seja incoerente compará-lo a um filme por sua característica intrínseca.


Pois bem, a trama que se passa em 1984 gira em torno de Stefan, um jovem programador de jogos para computador que, ao mostrar sua mais nova DEMO intitulada homonimamente ao filme para uma grande empresa de tecnologia (aparentemente focada em jogos), parte para seu desafio principal que é desenvolver Bandersnatch até uma data limite que não está muito distante. E é aí que entramos na jogada. Toda a interatividade do filme baseia-se em escolhas que deverão ser feitas em determinados momentos chave do filme com um tempo limite para tal. Cada escolha dessa levando a consequências distintas e, consequentemente, a mais escolhas.


Lembram-se das aspas na originalidade ali em cima? Na verdade, essa está longe de ser a primeira experiência da plataforma #Netflix neste formato interativo, existem filmes infantis que utilizam da mesma característica. O que novamente não significa ser algo ruim, a diferença agora é que a brincadeira está também disponível para os adultos. Mas a “falta de originalidade” não acaba aí. Muitos jogos, mesmo desenvolvidos para consoles ou computadores, são incrivelmente similares em sua premissa, sendo bem mais cinematográfico e focados em seus enredos, tendo o jogador o papel de “simplesmente” fazer as escolhas, de preferência as certas. Além, é claro, do bom e velho “Você Decide” aquele velho programa da Globo que tinha o final escolhido pelos telespectadores através do telefone, lembra?



De qualquer forma, sem dúvidas foi uma boa tacada da gigante vermelha do streaming, especialmente se acreditarmos em um aprimoramento da ferramenta ou, quem sabe, um enredo mais elaborado e específico para este formato.


Porque é aí que os percalços estão. Apesar de estar fascinado com essa ideia de decidir os próximos passos do personagem (quem nunca?), mesmo que muitas das escolhas disponíveis sejam desastrosamente catastróficas para o andamento da série, faltou. Não só porquê simplesmente faltou desenvolvimento da trama e dos personagens, ou algo mais sólido pelo qual realmente valha a pena perder algumas boas horas buscando por todos os seus múltiplos finais. Mas pela própria ideia de liberdade de escolhas que é cerceada na medida em que és forçado a voltar algumas escolhas e tentar algumas outras quando acaba por ficar preso em algum beco sem saída.


Enfim, apesar de tudo a recomendação é certeira e vale cada minuto sentado na frente da televisão, mesmo com algumas cenas graficamente fortes. Só não vá passar horas e horas de suas vidas parados na frente da TV explorando todos os finais possíveis (05). Nada seria mais Black Mirror do que isso.






TRAILER