logo.png
  • Cardoso Júnior

A Mulher na Janela – EUA -2021


A velha pergunta: O filme pode ser melhor que o livro? Em alguns casos a resposta é um sonoro sim! Mas não aqui. A adaptação do best-seller de A.J. Finn é de deixar o autor enraivecido com o desperdício e o estrago que fizeram com seu genial drama psicológico. Não, não é um suspense e nem mesmo um terror embora, no final, apresente alguns rápidos elementos desse gênero. Trata-se de um potente drama vivido dentro da mente da protagonista e que prende o leitor, pagina a página, com suas dúvidas e revelações bombásticas. É um desafio a desvendar hipóteses e conjecturas dentro de uma névoa paranoica turvada ainda mais pelo pânico. É um complexo caso psiquiátrico!

O roteiro de Tracy Letts (do bom “Lady Bird”, comentado em 29-12-17), ignora e deleta informações importantíssimas sobre a persona da personagem, suas relações familiares, seus amigos, seu trabalho, seus conflitos, culpas e autoflagelo além de achatar a absolutamente nada inúmeras características interessantíssimas de cada interprete da trama, para construir um suspense banal repleto de clichês de gênero que a direção do Joe Wright (Orgulho e Preconceito) insiste em enquadrar e até ampliar enquanto uma trilha sonora patética faz o impossível para impressionar.


Ok que tem a sempre ótima Amy Adams carregando o arremedo de enredo sozinha e ela o faz com dignidade, mas o que prometia ser um dos melhores lançamentos do ano, The Woman in the Window, naufraga em maré rasa, inventa um final inverossímil e improvável para construir a imagem da mocinha guerreira que, após a rápida superação de seus horrores, caminha com passos resolutos e auto confiantes até um carro que a leva em direção ao infinito.

Blasé!