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  • Fábio Ruiz

Atentado ao Hotel Taj Mahal – Índia – 2018

Atualizado: 8 de Ago de 2020


Em dois mil e oito, uma série de atentados terroristas coordenados assolaram a capital financeira indiana, Mumbai, deixando quase duas centenas de vítimas fatais e outras centenas feridas. #HotelMumbai narra parte desses ataques, focando aqueles relacionados ao Hotel Taj Mahal. O roteiro de John Collee e Anthony Maras contextualiza com precisão os cenários que antecedem os eventos, tanto dos perpetradores, quanto das vítimas, que serão acompanhados no fio condutor, que fragmentado em diversos locais e eventos, converge para o Hotel Taj Mahal, entrando com os terroristas no local, e desvelando os fatos que se sucedem desde então. O texto versa sobre tensões, de ambos os lados, sem se aproximar de um filme de ação, mas respeitando a seriedade dos fatos, criando suspenses sobre a sobrevivência daqueles que acompanhamos no decorrer da projeção.

A tônica é, de um lado, a luta pela sobrevivência e para salvar vidas, do outro, a obrigação de cumprir a missão, conduzida por uma voz em um telefone móvel. A narrativa ainda aborda os preconceitos que se revelam, sob pressões, em relação a etnias, religiões e costumes de pessoas que estão, igualmente, sendo vitimizadas; o heroísmo e altruísmo de funcionários e hóspedes, para pouparem amados e anônimos, como também o egoísmo de outros; e o sacrifício de alguns para perpetuarem vidas, tudo, sob tensões que rescindem em momento algum, especialmente pela vilania muito bem contextualizada e explorada no texto.

A direção de Anthony Maras explora, com planos e aproximações oportuníssimos, as tensões do roteiro, sem transgredir, em momento algum, a tênue linha que quebraria a deferência ao sofrimento dos fatos e vítimas reais. O elenco é ótimo. Armie Hammer, transita, com talento, entre a vulnerabilidade e a obstinação, entre o pânico e a bravura, afirmando-se, cada vez mais, entre os melhores atores da atualidade. Dev Patel, como um funcionário do hotel, mais uma vez um bom moço, mas muito distinto de outros que já fez; Nazanin Boniadi, Anupam Kher e Jason Isaacs completam, competentemente, o elenco principal. Vale ressaltar o excelente trabalho dos quatro atores que interpretam os terroristas que assombraram o hotel, sem cuja vilania e humanidade – e essa há inclusive na sordidez –, apreensões se esmaeceriam. A fotografia, excelente, valoriza as aflições, atenuando o grotesco, música, idem; arte e edição equalizam habilmente as imagens reais e as dramatúrgicas, ao ponto de não se distinguir as primeiras das segundas.

Atentado ao Hotel Taj Mahal mantém vivas perguntas pertinentes ao longo de sua projeção em meio a tanto sofrimento. Não se deixa de se perguntar: por quê? Para quê? Pois nada, nenhumas arbitrariedades ou vicissitudes, justifica tamanhos martírios. Vale muito assistir.

Em cartaz. #ImagemFilmes

TRAILER

#Índia #Análise #Asia