• Fábio Ruiz.

O Tradutor – Cuba – 2018


Cuba, em algum momento entre o desastre em Chernobyl e a queda do muro de Berlim, Malin, professor de literatura russa, é obrigado a trabalhar como tradutor para crianças russas com câncer, afetadas pela radiação, e seus familiares, às noites em um hospital. Baseado em fatos reais.

O roteiro da inexperiente Lindsay Gossling mira o poético, mas acerta o vagaroso. Apesar de acadêmico, com prólogo, desenvolvimento e conclusões distintos, a trama não empolga, por ausência de paixão, tudo parece asséptico: as locações, as relações, os conflitos, até as idiossincrasias do regime cubano, ilustradas no filme. Há uma tonalidade blasé, quase enfadonha, que permeia tudo, especialmente, os diálogos. Se a apatia se origina no texto e é ecoada pela direção, dos também inexperientes Rodrigo e Sebastián Barriuso, filhos da protagonista na vida real, ou nessa propriamente dita, é impossível determinar, mas há um distanciamento latente, que dificulta a identificação com a trama, apesar dos fatos contundentes que apresenta.

Maricel Álvarez, como a enfermeira Gladys, a melhor em cena – e a única que consegue romper o desapaixonado e transmitir sentimentos verossímeis, apesar da objetividade da personagem –, participa com Rodrigo Santoro, que diferencia suas atuações de anteriores apenas pelos idiomas espanhol e russo, das cenas mais pungentes, em excelente atuação. Yondra Suárez, como Isona, esposa de Malin, também ecoa um distanciamento excessivo que bloqueia a empatia, mesmo em situações notoriamente pungentes. O resto do elenco segue a linha asséptica. A direção dos irmãos Barriuso traz planos acadêmicos, sem grandes distinções, salvos somente por belas locações. A música adiciona à morosidade; a fotografia, a edição e arte são ótimas.

Uma trama interessantíssima, que o texto e a direção destituem de empatia, é o que apresenta #OTradutor. Uma opção interessante.

Em cartaz. #GaleriaDistribuidora #UnTraductor

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