• Fábio Ruiz.

Promessa Ao Amanhecer – França – 2017


Romain Gary acredita estar morrendo e obriga sua esposa, Lesley Blanch, a irem a um hospital na Cidade do México, a trezentos e cinquenta quilômetros de onde estão. No caminho, Lesley pega o novo manuscrito de Romain para ler, Promessa Ao Amanhecer, um romance autobiográfico. Eric Barbier e Marie Eynard, autores do roteiro, baseado no romance homônimo de Romain Gary (La Promesse de L´Aube), são extremamente felizes ao incorporar a narrativa do livro sob a hermenêutica de Lesley, com um narrador presente, o da literatura de Romain, em sua voz, em “voice over”, que, infelizmente, mingua ao longo da projeção. O quê se vê, não é uma autobiografia de Romain, sob suas perspectivas, mas uma dramaturgia que engloba duas histórias, a de Romain no presente, passando mal, a caminho da Cidade do México, onde insiste ser tratado, e a de sua biografia, reescrita por Lesley, que concede bela textura quixotesca a narrativa, e permite tudo extrapolar, dos “fatos” às atuações, principalmente as de Charlotte Gainsbourg e Pierre Niney. Romain, o Quixote de Blanch, é impulsionado por sua mãe, Nina Kacew, às suas aventuras como um desígnio divino, pois uma a uma, cumpre as suas promessas, obrando as predições maternas: aviador, escritor, embaixador, todas, surrealmente, corporificadas.

A direção, de Eric Barbier, é genial. Com planos e enquadramentos deslumbrantes, e orquestrando, com perfeição, todas as áreas técnicas, Barbier realiza uma grande obra. Realce para as belíssimas e singulares sequências de batalhas aéreas. Pierre Niney, o Romain Gary, em atuação tocante, brilha. Charlotte Gainsbourg, como Nina Kacew, também. Ambos conduzem, com grande delicadeza e precisão, as amplificações hermenêuticas. Pierre, que atua nos dois fluxos temporais, distingue com sutileza as personagens. Os meninos Pawel Puchalski e Némo Schiffman, respectivamente, o infante e o adolescente Romain, destacam-se. A fotografia agiganta a narrativa de Lesley, fazendo inteligente uso da luz natural e belas iluminações artificiais. A música e a edição são excelentes, e a arte, primorosa.

A emocionante jornada biográfica, de Romain Gary, romancista francês, entre outros, recontada na ótica da personagem de sua primeira mulher, uma escritora e historiadora inglesa, que romantiza o enredo, com fortes marcas cervantianas, é apresentada no filme de Eric Barbier, que leva o nome da obra autobiográfica de Gary, Promessa Ao Amanhecer. Não perca. PS: Em cartaz.

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