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  • Cardoso Júnior

Mary Shelley- EUA-2018

Atualizado: Ago 21


Há muitas formas de se abordar uma biografia e, aqui, não vamos enumerá-las para não fugir do propósito central que é analisar com isenção esse mais novo trabalho da diretora Haifaa Al Mansour que havia brindado o mundo com o seu ótimo “O Sonho de Wadjda” 2012 e da roteirista Emma Jensen, duas mulheres que se uniram para construir uma cinebio sobre Mary Shelley que, aos 18 anos, escreveu um dos maiores Best Sellers de todos os tempos, o emblemático “Frankenstein”.

Lançado no Festival de Toronto deste ano, essa cinebiografia, há muito necessária, é uma sucessão longa e tediosa de fatos talvez, pela opção de focá-la no conturbado relacionamento “conjugal” de Mary com o poeta Percy Shelley, talvez pela narração monótona, talvez pela tentativa pífia de roteirizar o século dezenove com constantes argumentos sobre a representatividade feminina do século vinte e um, criando inclusão de vários arcos que se embaralham acrescentando muito pouco á narrativa.

Contar a história da vida da pioneira da literatura fantástica e, demoradamente, compor através de sua história de dores e abandono para formatar, também gradativamente, as peças emocionais que a levaram a criar o mundialmente conhecido monstro, é um engendramento muito ambicioso para manter o pico de interesse numa constante.

Ok que há uma cenografia requintada, fotografia bonita, uma trilha sonora imperceptível, reconstituição de época cuidadosa, mas o descalabro dos figurinos e maquiagem (para reforçar a insignificância da mulher e o poderio masculino), há 200 anos, é tão nítido quanto desnecessário como também se mostram os discursos hedonistas dentro de um período tão rico a ser explorado.

Elle Fanning apresenta sua protagonista de forma digna, mas com tamanha falta de paixão ou mesmo vibrações interpretativas que, Douglas Booth, (Com Amor, Van Gogh), em muitos momentos assume o protagonismo principalmente nas cenas no castelo de Lord Byron onde Tom Sturridge, (Longe Deste Insensato Mundo) tem uma participação muito mais apaixonada mesmo que nos sejam apresentados como vilões e algozes de Mary .

Enfim, esse resultado longo-morno sobre a adolescente que escreveu em 1816 a fábula que permanece atual, é uma prova cabal que duas mulheres nem sempre conseguem contar uma história sobre outra mulher de forma isenta de convencionalismos que a torne minimamente interessante de se acompanhar sem cochilar. Mary Shelley merecia mais!

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#Hollywood #Análise #MaryShelley