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  • Cardoso Júnior

Insana- EUA-2018

Atualizado: 21 de Ago de 2020


Quem nos acompanha há anos sabe que estamos sempre ligados nos principais Festivais de Cinema ao redor do mundo e de seus lançamentos seja para recomendá-los ou não. Nesse caso, devem lembrar que noticiamos – e obviamente ficamos muito curiosos- sobre o mais novo trabalho do diretor Steven Soderbergh (“Erin Brockovich” entre outros), que causou grandes expectativas no último Festival Internacional de Cinema de Berlim por conta de ser uma estória de suspense/terror inteiramente filmada com um iPhone em apenas dez dias.


O roteiro opta por dois arcos interessantes ao abordar temas muito atuais como as mulheres vítimas de stalking (perseguição) e o quanto elas não são levadas a serio ao mesmo tempo em que, planifica o abuso de algumas instituições psiquiátricas que internam pacientes sãos para obterem o dinheiro dos planos de saúde. Ok, dois assuntos interessantes, mas que o roteiro, por mais que se esforce não se aprofunda neles ficando a meio caminho de cada um desperdiçando também alguns bons personagens.

Isto posto, a narrativa logra êxito ao brincar com o expectador lançando uma série de dúvidas sobre a sanidade da protagonista apresentando sugestões, pistas e indícios que vão se configurando e desmanchando até o segundo ato quando o roteiro resolve essa questão fazendo com que as “soluções” se tornem mais violentas que o esperado, saltando do suspense para o terror trash.


Visualmente a técnica (do iPhone), funciona muito bem ocasionando uma maior aproximação de Claire Foy ( The Crown), realçando sua ótima e diferente performance com as nuances de uma pessoa abalada emocionalmente dentro de um ambiente frio e sinistro de uma clínica hospitalar fornecendo ainda algumas boas informações jurídicas e clínicas para sustentar o desenvolvimento e anular alguns argumentos pouco plausíveis.

Claro que nos fica uma sensação de desperdício do elenco de apoio com nomes como: Amy Irving, (irreconhecível), Juno Temple e Matt Damon.

Ao fim, a conclusão que se chega é que Soderbergh, ao fabricar intencionalmente um produto com características de filme B, nos apresenta uma inteligente e efetiva sátira aos filmes de suspense e terror “comerciais” que atraem multidões mesmo com suas construções burlescas repletas de personagens rasos e, olhando por esse prisma (genial), "Unsane" cumpre sua função com muita provocação e galhardia.

TRAILER



#Europa #FestivaldeBerlin #Análise