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  • Cardoso Júnior

Paterson - EUA-2016

Atualizado: Ago 17


Será que as vidas de todos os seres humanos são cheias de aventuras, felicidades e muitas emoções no dia a dia como fazem questão de aparentar nas conhecidas redes sociais? Ou, existe uma real parcela de cotidiano extremamente banal, sem nenhum UP que não seja a continuidade melancólica do acordar, ir trabalhar, namorar, almoçar, voltar pra casa, passear com o cão e ir sobrevivendo sem muitos esforços e nem euforias na rotina diária?

Essa é a questão cerne do “queridinho” do Festival de Cannes 2016, onde acompanhamos uma semana inteira da vida de um casal e seu expressivo cão, cujo roteiro brinca com as expectativas das plateias prometendo inúmeras reviravoltas que, como na vida real, nem sempre acontecem; a vida apenas segue seu curso. Talvez a repetição das mesmas situações e o ritmo lento de seus 1h e50 minutos, afaste uma platéia mais ansiosa por acontecimentos e ações mirabolantes, mas é justamente no humor e na montagem espetacular do retrato do banal de todo mundo, que encontramos os maiores méritos da direção com suas cenas muito bem montadas e do sutil roteiro.

Por certo, Adam Driver com sua performance extremamente pacata e doce cativa em todos os momentos e a bela e louquinha Golshifteh Farahani com suas “reinvenções” esperançosas da vida compõem uma dupla sensacional, mas quem rouba a cena mesmo é o expressivo e carismático cão Marvim interagindo com eles quebrando e referendando a melancolia.

Delicado, Paterson que tem estréia prevista para o Brasil em Março 2017, ainda nos mostra como pode ser tranquila a vida de uma pessoa totalmente desconectada da internet e como a poesia e as artes podem surgir como uma caixa de fósforos à iluminar e colorir as realidades concretas de nossos pequenos cotidianos ajudando-nos a compreender a mínima e a máxima que: “Todo dia é um novo dia”; simples assim.

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#Análise #analise #Hollywood